Opinião
Escalada do tr�fico
Por meio de reportagem publicada no domingo, a Gazeta de Alagoas demonstrou como a ação do crime organizado está deformando o perfil dos barros maceioenses. Com muita rapidez, as quadrilhas de traficantes estão conseguindo reproduzir na capital alagoana a estrutura de terror e dominação que, há décadas, controla e barbariza favelas e bairros populares em metrópoles como Rio de Janeiro e São Paulo. E as coisas acontecem e aconteceram exatamente como a jornalista Bleine Oliveira descreve. Bairros como o Pinheiro, antes pacíficas áreas de moradia das classes média e média baixa, como que de repente, viraram um dos epicentros do tráfico onde não faltam assaltos e outros delitos como ocorrências cotidianas. Outras localidades, como a região em torno da linha férrea, como Cambona, Bom Parto e Bebedouro, igualmente estão infestadas pelo tráfico, com escancaradas demonstrações de força das quadrilhas de traficantes. Nessas áreas da orla lacustre, o drama é ainda agravado pela localização de ?quartéis-generais? no âmago dos perímetros mais favelizados, como é o caso da notória região da Sururu de Capote, assim como ocorre em muitas grotas de Maceió e no grande perímetro nucleado pelo conjunto Benedito Bentes. Preocupação maior é o fato que este é um problema em crescimento, quer seja pelo aumento do poder das gangues nos locais onde já se encontram instaladas, quer seja pela óbvia tendência de expansão das quadrilhas para novas áreas de moradia. Apesar de, nos dias em curso, ser muito mais difícil que há uma década, ainda existem chances dessa escalada ser ? se não detida no sentido exato da palavra ? enfrentada com razoável possibilidade de sucesso em sua marcha expansionista. Mas, para isso, serão necessárias políticas públicas diferentes das que vêm sendo tentadas até hoje.