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Opinião

A universidade e o desenvolvimento humano

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Os desafios dos nossos tempos, os contrastes sociais e econômicos, a busca da justiça, da correção das desigualdades, e a permanente missão de se alcançar o bem-estar humano e o desenvolvimento sustentável, devem encontrar na universidade a parceira ideal e inseparável. Entre todos os ambientes institucionais, é a universidade, seguramente, a mais forte das possibilidades para a formação de cidadãos críticos e de profissionais competentes e éticos, capazes de assumir compromissos de mudanças e contribuir para a felicidade das pessoas. A universidade como geradora de saber, deverá estar comprometida com a verdade, a justiça e a igualdade. É sob esses conceitos, convivendo entre conflitos, contradições e necessidades da sociedade, que a universidade ? ao contrário de ser mera fornecedora de diplomas ?, haverá de cumprir o seu dever de formar profissionais preparados, intelectual e moralmente, para servir ao ser humano e à comunidade, propiciando sua transformação e elevação. Se a universidade funda-se na verdade, na justiça e na igualdade, nada mais belo e necessário é que a sua atuação, na formação de profissionais, mantenha um permanente olhar na nossa realidade social e econômica, nas nossas brutais e perversas desigualdades, de tal maneira que, nesse processo de construção crítica, sejam colocados no mercado cidadãos conscientes de devolver ao povo, na forma do bem, dos bons serviços prestados, o financiamento que se faz da Universidade pública. A propósito, todos os países desenvolvidos optaram, no início desse processo, pelo ensino superior público e gratuito, um caminho ditado pela compreensão progressista de que a formação de profissionais e o avanço das ciências interessam mais às nações do que ao próprio indivíduo. Daí, a defesa que faço da universidade pública e gratuita, plural e democrática, fortalecida nos princípios da igualdade e da sustentabilidade, que seja um real instrumento de participação no corpo social, que incorpore os avanços da tecnologia, mas que, sobretudo, forme profissionais que tenham compromissos efetivos com o bem-estar coletivo. A sociedade atual pede ao sistema universitário que comunique competências e conhecimentos relevantes para responder às novas exigências culturais e laboriais ditadas por cidadãos mais informados e exigentes. Mas pede, igualmente, uma formação moral que responda adequadamente aos anseios de felicidade e às necessidades prementes de transformação dos nossos espaços de vivência comunitária. (*) É doutora em Ciências pela Fiocruz.

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