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Opinião

A figura daquela mulher

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A sagrada escritura é, por demais, pródiga na apresentação de mulheres santas, heroínas, ou até sedutoras, em suas páginas inspiradas. Desde Eva até Maria, passeia, no espaço da passarela bíblica, a figura do feminino. Assim Sara e Agar, a livre e a escrava, seguem passos rítmicos de Abraão, à procura da Terra Prometida, de leite e mel. Por que não Rebeca, favorecendo as bênçãos da primogenitura de Esaú a Jacó, seu filho?!... Por que não a rainha Vasti, opondo-se à vaidade de Assuero?!... E Ester, de Mardoqueu, conquistando o coração de Assuero!... E Noemi, consolando as viúvas de seus filhos!... Por que não Rute, a moabita, respigando nos campos de Booz!... Por que não Ana, de Elcana, chorando a sua esterilidade e cantando, logo após, o nascimento de Samuel?!... Por que não Judite, exterminando Holofernes, ou mesmo Dalila, vencendo Sansão?!... E tantas outras, por que não?!... E Maria Madalena, Maria de Cléofas, Marta e sua irmã, Maria?! Entretanto, em meio a tanto feminino na bíblia, avulta-se, entre todas essas mulheres, Maria, filha de Ana e Joaquim, a mãe de Jesus: a mulher nº 1 da história, da qual foi o gênero humano elevado ao nível do transcendente. Ela é ?cheia de graça? diz o anjo; é ?bendita entre as mulheres?, afirma Isabel; ?haverá de sofrer? assevera Semeão... Ela é, de si mesma, servidora: ?Eis a servidora do Senhor; faça-se em mim segundo a sua palavra?; vai, às pressas, às montanhas de aincarém, servir a Isabel, sua prima. É, de si mesma, da prosápia dos profetas, pelo anúncio e pela denúncia, como bem revela o seu canto de alegria: ?Minha alma engrandece o Senhor e meu espírito exulta em Deus, meu Salvador... Porque o Todo-Poderoso operou em mim maravilhas?. É o anúncio da felicidade, do júbilo, das maravilhas por Deus operadas. Mas Senhor ? continua Maria ? age com a força dos seus braços, afastando os orgulhosos e poderosos dos tronos da tirania, deixando os avarentos de mãos vazias. Aí a denúncia contra a injustiça, a opressão, o desserviço. Ela é servidora e profetisa, porque é de Deus e do povo. Ela é quem ensina o povo cantar seus prazeres, ao longo da caminhada das estradas de Emaús. Aquela que nos trouxe a fonte do amor e da paz será a medianeira na transformação do coração do homem para Deus e para seu irmão. Sim, porque, sem conversão interior, não há civilização, nem as estruturas de amor. (*) É bispo emérito de Palmeira dos Índios e presidente da Academia Alagoana de Letras.

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