Opinião
De cani�o e sambur�
Dentre os muitos potenciais subutilizados de Alagoas, a pesca sempre esperou dias melhores, apesar da Natureza ter brindado nosso Estado com uma grande riqueza em termos de variedade e quantidade de frutos d?água (doce e salgada). Como para compensar nosso atraso em termos de investimentos e de políticas voltadas para a produção de pescado, desponta como positiva as experiências de piscicultura levadas adiante no Baixo São Francisco. Melhor ainda seria se essa ideia fosse efetivamente pescada para outras regiões alagoanas, povoando nossos rios, lagoas e costa marítima de projetos rentáveis e sustentáveis. Natureza, apesar dos danos sofridos, não nos falta para isso. No próprio nome do Estado, referência óbvia a grande quantidade de alagoas (como se escrevia, há séculos, a denominação para as lagunas de nossa terra), está contida a indicação de algo além da beleza natural. E, até poucas décadas, era evidente a excepcional fartura das lagunas alagoanas. Mundaú, Manguaba, Roteiro, não eram famosas apenas pela grande beleza. Suas carapebas, tainhas, camurins, conquistaram merecida fama nacional, assim como os caranguejos (uçás e guaiamuns), siris, camarões, taiobas, massunins, unha-de-velho... isso sem falar nas ostras da lagoa de Roteiro e no bagre do Pilar (que agregou o nome da cidade como sobrenome) e o sururu, ainda hoje símbolo culinário de Alagoas. Tilápias e tambaquis são muitíssimos bem-vindos. Que se sintam em casa. Mas que também nos preocupemos em salvar e tornar rentável as populações de surubins (para citar o mais famoso dentre um elenco de 250 a 300 peixes da fauna do Rio São Francisco), sem se esquecer, naturalmente, dos incomparáveis pitus, antes tão abundantes nos rios alagoanos. Vamos em frente, com algo mais que caniços e samburás, recuperar a piscicosidade (quase) perdida das águas alagoanas.