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Opinião

A agenda

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Objeto útil e até indispensável no cotidiano de muitas pessoas, a agenda, nos últimos dias, passou a ocupar os noticiários, como meio de prova numa questão envolvendo a ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira e a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, depois que o presidente Lula exortou à ex-secretária a apresentar sua agenda para confirmar um encontro havido com a ministra, que afirma não ter ocorrido. Diante da polêmica, Lina Vieira prestou depoimento na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, afirmando: ?Não preciso de agenda para falar a verdade?. Enquanto isso, a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados requereu à Casa Civil da Presidência da República informações sobre a agenda oficial da ministra Dilma Rousseff. O fato é que uma das partes está mentindo, o que se constitui numa conduta reprovável, sobretudo quando a mentira é divulgada por uma autoridade. A propósito de agenda, depois que me aposentei como funcionário público e que interrompi a atividade advocatícia, naturalmente diminuíram os compromissos sociais e profissionais. Com isso, minha agenda de anotações de telefones, que costumava ser renovada todo ano, já faz algum tempo ? uns três ou quatro anos ? permanece com os números dos aparelhos das pessoas com as quais mantinha contato e que morreram nesse período. Elas estão registradas em ordem alfabética, assim: Adílio, Aloísio (tio), Ana, Benedito Feitoza, Bete, Edécio Lopes, Francisco Valois, Guaraci, Jorge Vilar, Mariquinha (tia), Neco, Otávio, Ranilson França, Rinaldo Deodato, Roberto (vizinho), Ronaldo (irmão), Rosival (primo), Salete Santana e Zé Marcos. Nessa lista figuram parentes queridos, amigos de infância e outros com os quais mantive um relacionamento digno e respeitoso. Por isso, a morte de um amigo é um acontecimento muito doloroso, e, seja qual tenha sido a causa e o momento, fico consternado todas as vezes que, por exemplo, utilizo a mencionada agenda, já que me deparo apenas com o nome da pessoa e o número do telefone grafados numa simples folha de papel. Apesar de tudo, minha agenda precisa ser renovada, porque, além de amarrotada, já está cheia de novos nomes e números. E, embora a tecnologia permita ao computador, ao telefone celular e à agenda eletrônica armazenarem anotações, vou continuar usando uma agenda convencional e vou guardar com muito carinho a antiga agenda, que foi um presente do meu inesquecível irmão Ronaldo. (*) É advogado e membro da Academia Maceioense de Letras.

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