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Opinião

A certeza da d�vida

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Ao passar pela fachada da Secretaria de Estado da Educação preferia não entender o significado das condições físicas desse prédio; é que quando não entende a gente é mais completo, dizia a Clarice Lispector. Ai, ai! Todavia incompleta é a gente. Incompletos somos nós do povão. Quem não tem o coração partido ao entender a sucata daquele edifício ser a expressão do trato dispensado à educação caeté ? encarada pela nossa cabocla aristocracia como um simples serviço e não como um grande direito? Dúvidas? A mim nenhuma quando penso que historicamente o Estado de Alagoas nunca aprendeu a dar a merecida atenção ao ensino público, em razão, acho eu, do que disse o Claudio de Moura Castro na Veja (27/6/2007): ?A qualidade da educação [pública] não é valorizada pela sociedade, melhorá-la não traz nenhum prêmio político?. Alguma pergunta sobre isso? Também não duvido da ingerência política não qualificar a educação com receio de eventuais resistências dos estratos que ela mesma ajudou a educar. Promover a defasagem do saber para assegurar o poder é politicamente estratégico. Dúvidas quanto a isso? ?Pois a dúvida me agrada não menos que o saber?. Ah, Dante Alighieri, se soubesse como este saber sem dúvida desagrada... Saber que nossas escolas públicas não se adaptaram aos novos modelos de aprendizagem; que se deixaram despojar da proteção jurídica e do reconhecimento social; que nossos educadores trocaram o exercício crítico e a sua referência moral por um construtivismo que os subordinam a ?facilitadores? do aluno; que largaram a lucidez intelectual pelo ensino instrumental/tecnicista; motivos esses que os sujeitam aos alunos, pais e à burocracia. Dúvidas quanto às sequelas? 30% de mestres depressivos, mais de mil afastados, salários obscenos, problemas estruturais nas unidades escolares, a perversa greve, o desgosto pelo ensino público, além do que é praxe. Uma espécie de déficit antropológico e ético que hostiliza a educação, negando a formação do homem, e que se encaminha para a deterioração da civilidade alagoana. E todo esse verniz sociológico está lá representado nos rebocos da Secretaria Estadual da Educação. Vem-me à memória a figura do baixinho René Descartes, o cara que exerceu a dúvida em vez de sofrê-la. Duvide quem quiser, mas se vivo fosse não iria escapar ao sofrimento dela, e legaria a insegurança se olhasse para o prédio da nossa Secretaria da Educação. Há, eu duvido que não fosse assim. (*) É estudante de Letras da Ufal.

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