loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Dor e racionalidade

Ouvir
Compartilhar

Significativa, a emoção que permeou o sepultamento do jovem Fábio Acioli precisa ser estendida para além das lágrimas, alcançando a transmutação da dor sentida para novas atitudes proativas de cidadania, de luta efetiva contra tamanha desumanidade. Comoção e revolta são mais que justificáveis. Mas essa revolta precisa ser canalizada de forma racional, deixando de lado o campo das demonstrações de raiva tão compreensíveis quanto inúteis (por serem invectivas que se distanciam dos alvos reais e findam por cair no vazio). Neste caso específico, as críticas dirigidas à polícia são injustas, pois há um efetivo esforço de investigação em curso. Manifestadas nos primeiros momentos, as críticas rarearam, mas a atitude correta neste caso, que é uma irrestrita colaboração com as investigações, ainda sugere a presença de um pernicioso manto de silêncio, por parte de pessoas da intimidade da vítima, sobre os detalhes que poderiam ser importantes para os trabalhos investigativos. Naturalmente, essa pode ser uma impressão errônea, e as colaborações cidadãs podem estar sendo intensas, fazendo esse silêncio parte do processo de sigilo policial ? oxalá assim esteja ocorrendo. Em quaisquer hipóteses, o mais importante é se entender que o esforço de combate ao crime, e especialmente, aos crimes hediondos, ao crime de morte, deva ser o esforço coletivo, onde o exercício de cidadania se expressa, de forma prática e inquestionável, no apoio às investigações. Num primeiro momento, neste caso do crime contra Fábio Acioli, isso não aconteceu, pois o preconceito acerca das opções sexuais pesou mais que o anseio de justiça. É importante não seja esquecida esta lição sobre a necessidade dos preconceitos serem relegados a plano inferior e da imprescindibilidade de colaborar com as investigações.

Relacionadas