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O massacre do Dia de S�o Valentim

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Há trinta anos, com grupo de companheiros, participei de vários cursos em centros universitários dos Estados Unidos: na Universidade de Stanford, Califórnia, no Washington Center e na Universidade de New York. Após o término dos cursos cada um para seu lado, inclusive o deputado federal Ney Lopes, que foi reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Tomei o rumo de Chicago, um dos maiores centros empresariais do mundo. Andando em direção ao porto, sob um frio cortante de 17 graus abaixo de zero, protegido por pesado sobretudo, cachecol, chapéu, luvas, vi marinheiros, sobre o lago congelado, esfregando, com imensos vassorões, o casco do navio que aguardava o degelo para prosseguir viagem. Olhei o horizonte, um?mar? sem fim! Hospedado no Hilton, um antigo hotelão, que ocupa um quarteirão da parte antiga da cidade, dia seguinte, fui conhecer a garagem, distante três quadras, onde ocorreu, no Dia de São Valentim, patrono dos namorados, a maior chacina da história criminal dos Estados Unidos. Em New York cinco ?famiglias? mafiosas: Gambino, Genovese, Bonano, Luchese, Colombo, partilhavam os negócios escusos. Em Chicago era diferente. Abastecendo clandestinamente rede de boates e bares da cidade com whisky, desafiando a famosa Lei Seca, a poderosa máfia não aceitava disputas nem desafios de pretensos concorrentes. Houve forte tiroteio e banho de sangue! Nas ruas corria a notícia que um bando de mafiosos havia sido abatido por membros da polícia metropolitana de Chicago. Quando a verdadeira polícia chegou ao local do crime, uma garagem de um edifício comercial, desfez-se o grande mistério. Pistoleiros de uma quadrilha rival, com fardas da polícia, tinham praticado a chacina. O tradicional Dia dos Namorados, tão alegremente festejado, ficou macabramente conhecido como ?o massacre do dia de São Valentim?. O mandante encontrava-se distante, ao sol de Miami, rindo e se banqueteando com o alto comando da organização criminosa. O chefe era Alphonsus Gabriel Capone, o famoso Al Capone, o lendário Scarface (cara de cicatriz) italo-americano, originário de uma pequena vila próxima de Nápoles, Itália. Foi retratado pelo cinema, como gênio do mal, por grandes astros: Al Pacino, Robert De Niro e o inesquecível Marlon Brando, em O Poderoso Chefão?. (*) É ex-governador do Estado de Roraima ([email protected]).

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