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Bens abandonados

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Uma das referências marcantes para o passado recente da capital alagoana, as instalações da antiga ?Portuguesa?, foram inapelavelmente depredadas, numa insofismável declaração acerca da ausência de segurança para o patrimônio público. Não é de hoje que bens integrantes do patrimônio público são tornados vítimas fáceis para saqueadores, que de tanta facilidade, não apenas levam objetos móveis, como ? literalmente ? fazem o desmonte do imóvel, levando-o, totalmente, peça a peça, tijolo a tijolo, telha a telha. Um dos imóveis mais significativos de toda história alagoana é um triste exemplo deste descaso e dessa impotência dos poderes públicos face ao vandalismo. Este é o caso do monumento erigido para receber o papa João Paulo 2º em Maceió, hoje, menos de duas décadas depois da memorável data, quase nada resta daquele marco de um dia de glória para Algoas. O ?Papódromo?, estratégicamente localizado às margens da Lagoa Mundaú, encravado numa região de moradia de baixa renda, é (era) o registro, em cimento armado e aço, da presença do santo padre na capital alagoana. A extraordinária visita de um papa à Alagoas ocorreu no dia 19 de outubro de 1991, constituindo-se num fato singular, único, para a história alagoana. Mas, antes de completarem-se 20 anos dessa magna data, do monumento onde ele rezou a missa, praticamente nada resta. Até as telhas foram roubadas, sem falar nas portas, fios, placas comemorativas e tudo mais que pudesse ser levado. Não espanta, porém, que o imóvel que sediou antiga Portuguesa (clube social de grande prestígio há até três décadas, hoje endereço transmutado em mero depósito, depois de ter sido um reles bingo) tenha sido saqueado inapelávelmente. De certa forma, esse é um vício quase tornado lei: o abandono parece ser a sina do patrimônio público em Alagoas.

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