Opinião
As monstruosidades dom�sticas
Um antigo e estimado monstro dos britânicos, voltou a dar o ar de sua graça: Nessie, gigantesco réptil pré-histórico que, segundo a lenda e principalmente o imaginário coletivo habita o lago Ness e até tem registros em filmes e fotografias, reapareceu esta semana, em uma foto tirada das alturas, o que provavelmente fará com que o fim de semana às margens do lago se transforme em uma grande festa, regada a cerveja brownie, a preferida na velha Albion. Outro arcaico e aparentemente desaparecido monstro inglês ? este realmente temido e violento, responsável por muitas mortes de inocentes ?, que todos julgavam para sempre exterminado, ressurgiu: os hooligans, grupo de vândalos que por muito tempo aterrorizaram os seus verdejantes campos de futebol e, cujo sistemático e científico combate, eliminando-os dos estádios, foi uma das principais razões para o grande desenvolvimento do futebol inglês, tornando-o um dos mais organizados e ricos do mundo. Esta também foi mais uma semana de continuidade das monstruosidades tupiniquins. No Senado, um desajeitado Suplicy, um tipo Nessie local, titubeante habitante daquele profundo lago negro, não tendo nada melhor, lançou mão de um patético cartão vermelho contra o mais do que denunciado presidente Sarney. A latere, inconformados com o arquivamento das denúncias, tanto oposição como alguns membros da base aliada, pregavam a pura e simples extinção do Conselho de Ética, por sua mais do que evidente incapacidade de julgar seus pares com um mínimo de decência e isenção. Bis in idem, na Receita Federal, importantes companheiros da ex-chefe Lina Vieira renunciavam a seus cargos. Na nossa sofrida Alagoas autoridades públicas sobrepujam o que ocorre de pior nacionalmente, inclusive no Congresso: a Assembleia Legislativa consegue superar o Senado em desfaçatez corporativista e remete para uma Comissão de Ética virtual ? que não existe na prática, não tem estatuto nem regimento ?, um processo emanado do Judiciário contra um deputado acusado por crimes de gravidade inconteste. Na competição entre monstruosidades levamos grade desvantagem: o Nessie britânico é virtual e se um dia por acaso emergir do lago, sairá dando beijinhos nas rosadas bochechas das crianças; os hooligans serão novamente combatidos e eliminados pelas autoridades britânicas. Nossas monstruosidades e hooligans são reais, ousados, presunçosos, estão instalados em várias esferas do poder e, o pior: parecem inalcançáveis amparados que são inclusive pelo Planalto. (*) É médico e professor da Uncisal.