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O santo ou a vida de pernas para o ar

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Dia 12 de junho é uma data especial de celebração do amor. É uma delícia ver as sugestões de presentes e de cardápios para comemorar o relacionamento e a decisão de estar juntos.

E o Dia dos Namorados é bastante democrático. Comemora quem namora, quem mora junto e quem é casado. Se a panela tem sua tampa, é dia de curtir.

Se não bastasse, com a criatividade do brasileiro, ainda há brincadeiras, festas de solteiros e muita diversão para todo mundo. Vi uma moça dizer que a noite do dia 12 de junho é ótima para ir à academia, descobrir quem está solteiro de verdade e ainda garantir o shape.

Mas peço licença para sugerir uma nova data de celebração, um tipo de chá revelação. Passou o dia 12 sem saber se você está apenas namorando? Vamos fazer uma conversa especial no dia 13, Dia de Santo Antônio.

Para quem não sabe, Santo Antônio é o santo casamenteiro, e a tradição é colocar sua imagem de ponta-cabeça até que se arrume um casamento. Mas eu te pergunto: se o namoro está com cara de união estável, já é hora de desvirar o santo?

Veja que nem todo namoro precisa virar casamento. Já se foi o tempo em que o namoro era, necessariamente, um rito de passagem para o matrimônio.

No mundo atual, espera-se que o namoro possa ser uma relação leve, descontraída, com o objetivo de desfrutar da companhia do outro. Mas só será leve se essa for a percepção das duas pessoas envolvidas. Não há suavidade alguma se uma acha que é uma relação que se basta no deleite, enquanto a outra está com Santo Antônio de pernas para o ar.

Nada é mais prejudicial aos relacionamentos afetivos do que o desalinhamento de expectativas. O não dito é pai dos mal-entendidos. A contemporaneidade trouxe mais liberdade, mas, contraditoriamente, inibiu as pessoas de fazer uma pergunta que deveria ser mais do que natural: e esse relacionamento, está indo para algum lugar? Qual o posto que ocupo na sua vida: namorado ou companheiro?

Essa questão pode ser vista apenas como um ultimato conservador ou uma pressão social desnecessária. Mas, para o Direito de Família, ela é a pergunta de um milhão.

O namoro não tem qualquer repercussão jurídica. Nenhuma. Mas, se essa relação já tem características de união estável, ela pode dar ensejo à partilha de bens, ao pagamento de pensão e à herança. Ou seja, não é um mero detalhe.

E não estamos falando apenas da forma como um chama o outro. É uma questão de papéis sociais. Ainda que você se refira a essa relação como namoro, o porteiro acha que a sua namorada é, na realidade, sua esposa? Para que seu namorado tenha acesso ao seu plano de saúde, você andou assinando papéis no RH da empresa sem sequer ler? Vocês foram padrinhos, juntos, do casamento de amigos? Esse namoro pode ser interpretado como união estável.

Não há prazo mínimo, não é preciso ter filhos e nem morar sob o mesmo teto é requisito essencial.

Então, o que você está esperando para servir honestidade neste Dia dos Namorados? Para dizer, de coração, o que espera dessa relação? Quem sabe sugerir a formalização do namoro, da união estável ou até mesmo fazer um pedido de casamento?

Se isso lhe parece um papo indigesto, você não imagina quanto omeprazol se toma em uma dissolução litigiosa de união estável.

Transparência cai muito bem no Dia dos Namorados. Abuse dela!

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