Opinião
Inconsequ�ncias
Declaradas ilegais pela Justiça, duas greves em curso, em Alagoas, ainda estão longe de ter seu fim declarado. Ambos os movimentos confrontam decisões judiciais, confiantes da absoluta inconsequência de seus atos e até já anunciam nomes de supostos defensores de seus pretensos direitos à ilegalidade e, por que não, à impunidade. Parece não haver limites, nem normas, perante às decisões do ativismo sindical. E, a bem da verdade, para que tal arrogância se cristalizasse, existe, no passado recente, um longo e consistente histórico de impunidade. Até então, as decisões sobre a ilegalidade grevista eram letra morta. Multa? Desconto de dias parados? Reposição (verdadeira) dos serviços boicotados? Tais questões nunca foram respondidas segundo o justo raciocínio, pois, uma vez findas as greves, era uma vez o conjunto de decisões sobre a legalidade do movimento. Repetidas ?anistias?, fáceis e graciosas, geraram este clima de permissividade geral e de impotência da Lei e da Justiça. Na atual quadra, as cabeças coroadas do sindicalismo mimado pelos poderes públicos apostam que nada mudou, nem mudará. E, ao ignorar as decisões que não lhes sejam favoráveis, igualmente se revelam imunes às repercussões de suas paralisações para a população. O povo que se lixe. E, em mais uma demonstração de fragilidade do espírito cidadão, os direitos da população sequer são postos na mesa de negociação. Legal ou ilegal, a paralisação do serviço público segue castigando irreversivelmente a população que desses serviços necessite. Multas podem ou não serem pagas, dias parados podem ou não serem descontados, mas não há como repor a educação sonegada aos estudantes das escolas públicas (mesmo que, pro forma, sejam ?repostas? um determinado número de horas-aula), nem o tempo no qual os usuários do Detran foram obrigados a ficar na contramão. Pelo bem da democracia, é hora dessas inconsequências terem fim.