Opinião
Energia nuclear e desenvolvimento
A hidroeletricidade continuará sendo o sustentáculo de energia renovável na nossa matriz elétrica. Mas esse grande potencial hidráulico não poderá ser totalmente aproveitado por causa dos impactos ambientais que provocará. Sem grandes barragens, aumentamos a potência instalada sem acrescentar nada nos reservatórios. Nossa regularização que era plurianual passou a ser anual, dependendo das chuvas, cujos resultados já vimos no racionamento de 2001. Passamos de um sistema puramente hidráulico para um hidrotérmico e esse complemento está sendo feito com gás natural, óleo combustível e carvão, energéticos caros e poluentes. As fontes alternativas não resolverão nossa segurança energética. O bagaço de cana só funciona nos seis meses da safra. A eólica só opera 30% do tempo. Custando R$ 800/MWh, a energia solar para gerar eletricidade ainda é muito cara comparada com R$ 144/MWh da hidráulica projetado como teto do próximo leilão. Essa equação da segurança energética, da modicidade tarifária e das mudanças climáticas exige a redução das emissões de dióxido de carbono e escolha de tecnologias com prioridade no desenvolvimento energético sustentável. No Plano Nacional de Energia (PNE 2030), o governo federal resolveu retomar o Programa Nuclear Brasileiro. Precisamos de complementação térmica, as usinas nucleares operam todo o ano ser emitir CO2, somos a 6ª reserva mundial de urânio com apenas 30% do território prospectado e, juntamente com Estados Unidos e Rússia, os únicos do mundo a dominar o ciclo completo de produção do combustível nuclear. Precisamos de escala para viabilizá-lo economicamente e exportar tecnologia. O programa nuclear tem inúmeras aplicações econômicas na Medicina, na indústria, na agricultura e no meio ambiente, sem esquecermos a sua fundamental participação no sistema de defesa nacional. Além de Angra III, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) já decidiu que até 2025 serão instaladas mais 4 usinas nucleares no Brasil: 2 no Nordeste e 2 no Sudeste. As duas da central do Nordeste ficarão no eixo Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia. Todos os Estados querem a central nuclear porque energia é fator de desenvolvimento intra e interregional. Cada usina significa um investimento direto de R$ 8 bilhões, criando 4 mil empregos, sem contar com os periféricos. Num Estado pobre, como Alagoas, esse investimento ajudará para o equilíbrio macroeconômico. (*) É secretário adjunto de Minas e Energia.