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A Copa para poucos

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Nada contra o futebol ou contra a escolha do Brasil para sediar a Copa do Mundo de Futebol de 2014. A preocupação está no que será planejado, executado e o que restará de benefícios após a festa futebolística. Todos sabem, e ninguém foi chamado enganado, que para participar da corrida rumo aos recursos financeiros que serão destinados às obras de infraestrutura um requisito é fundamental: ter receitas futuras com o futebol. E aí a situação começa a se complicar. Doze capitais poderão sediar jogos da Copa, isto se, até 31 de agosto próximo, comprovarem a viabilidade econômico-financeira do que deverá ser construído, para que se forme o conjunto perfeito, composto por meios de transporte, hospedagem, acessibilidade, saneamento, segurança, energia elétrica e estádios de futebol aprovados pela Fifa. Apesar da irresponsável indicação de muitas capitais, as que sobraram ? Manaus, Fortaleza, Natal, Recife, Salvador, Cuiabá, Brasília, Curitiba, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre ? possuem premente necessidade de obras de infraestrutura; no entanto, não precisam de um novo estádio, pois nenhuma delas viabilizará com receitas de futebol a sua construção. A imaginativa saída político-eleitoral-oportunista foi chamar estádio de futebol de arena multiuso. Se imaginarmos que em Manaus, onde o futebol, com todo respeito, é um bicho, poderão ser gastos no complexo infraestrutura-arena multiuso algo como R$ 6 bilhões. Entristece constatar que não há nenhuma equação econômico-financeira que possibilite por meio de PPP?s a viabilização dos projetos. Fortaleza, rica cidade do sofrido Nordeste brasileiro, pretende gastar R$ 9,2 bilhões. O bom senso demonstra que apenas Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e talvez Porto Alegre possam garantir receitas futuras com o futebol. As obras de infraestrutura urbanas só se viabilizarão com garantias que só Estados ricos podem dar. O Norte, o Nordeste e o Centro-Oeste brasileiros não podem estabelecer PPP?s sérias e viáveis para realização da efêmera semana de apresentação de seleções nas capitais escolhidas, sem recorrer aos cofres públicos ou às emendas parlamentares, sacrificando mais ainda o povo, que embora adore o pão e o circo nunca vistos na história do Brasil, não conseguirá bancar por mais tempo tanto desperdício de dinheiro. Não há por que criar o PAC da Copa. (*) É engenheiro civil e diretor Nordeste da Abes (Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental).

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