Opinião
Independ�ncia e morte
Luta pela liberdade. Este ideal perdurou por mais de 300 anos para os que viveram até aquele 7 de setembro de 1822, consumado às margens do Rio Ipiranga. O abuso exercido por parte de Portugal à nossa querida Pátria, que via dia após dia suas riquezas e bens serem levados com um discurso racional, teve por ironia do destino, ou não, um basta de um (próprio) Português, D. Pedro I. Agora sim livres! Será? Portugal não queria perder a mamata. Conta a história que Portugal exigiu do Brasil um pagamento de dois milhões de libras esterlinas para reconhecer a independência. Como não havia este dinheiro e alguém tinha que pagar, a Inglaterra concedeu um empréstimo. Agora livres de Portugal e dependentes de uma dívida externa, iniciaria outra jornada em busca de liberdade. Assim vamos vivendo numa constante luta, discurso tão surrado aos nossos ouvidos e prediletos em tempos de eleição. Mas tão esquecida por aqueles que deveriam estar lutando pelos direitos da grande massa, dos mais esvaziados e escravizados com impostos, violência, miséria e saúde na UTI. O problema da falta de liberdade começa muito antes do ?descobrimento? do Brasil; está encravada no coração humano, que nunca está satisfeito. E tem vários nomes: estabilidade financeira, boa saúde, paz, dignidade. Interessante que por mais que se lute e conquiste nunca se está satisfeito. Isso nos mostra que não existe total independência, sempre estaremos nas mãos de alguém, entre dominados e dominadores, entre a independência e a morte. A busca pela liberdade está tão encravada no coração humano, e este, muitas vezes cego, passa por cima de tudo e de todos, sem dó nem piedade, chegando a matar se preciso. O grito maior de independência culminou em morte, sim, numa aparente derrota, quando no alto de um monte alguém bem mais importante que D. Pedro bradou ?está consumado? ? pago! (João 19.30). Este grito é dado frente a maior escravidão que nos cega e nos torna vazios: a corrupção do pecado. Ele não veio para trazer uma liberdade política, como muitos almejavam, nem veio para trazer prosperidade e bem aventuranças como muitos pregavam. Porque mesmo onde elas existam com fartura, continuam sendo superficiais, permanecendo assim, a necessidade do brado de vitória completa. Esta liberdade já foi conquistada: ?Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres? (João 8.36). Este ?SE? ainda continua disponível a todos! Salve nossa Pátria! (*) É teólogo e pastor da Igreja Luterana ? Maceió.