Opinião
A miss�o santificadora dos ministros de Deus
Como ministros de Deus, somos herdeiros da profecia, participamos de forma plena na missão profética de Jesus e somos convocados a sermos palavra de Deus em nossa história e falar aos homens e mulheres de nosso tempo poe meio de nosso testemunho. Que palavra devemos pronunciar, nós que estamos mergulhados na agonia de nosso tempo? É claro que a nossa palavra profética nasce da consciência de nossa missão particular. O dom do nosso sacerdócio define o modo de nossa participação na missão da Igreja e devemos, portanto, ter consciência clara de nosso lugar. A partir dele, cultivando a intimidade com Deus e deixando-nos interpelar pelos apelos da realidade, encontramos as condições necessárias para anunciarmos a palavra de Deus e tornarmos mensagem de Deus para o mundo. Somos sim, no dizer do apóstolo Paulo: ?E sois uma carta de Cristo, entregue ao nosso ministério, escrita não com tinta, mas com o espírito de Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, nos corações!? (2 Cor. 3, 3). Para que sejamos portadores da Palavra e pronunciemos palavras fortes com a nossa vida, é necessário que entremos na dinâmica de um processo de transformação que inclui uma desintegração de tudo que é falso em nós, a fim de que a verdade sobre nós, sobre Deus, sobre a história possa vir à luz. Destruir nossa falsa personalidade, que como defesa nós construímos, nosso desejo de dominar, de satisfazer nossa própria necessidade, de nos sentirmos os únicos, é um processo necessário nesta busca respondermos à dimensão profética de nosso carisma. Os profetas passaram por esta experiência radical de purificação para se transformarem em palavra de Deus e conseguiram construir a unidade entre a vida e o ministério. Coloquemo-nos com humildade e sinceridade diante de nossa vida e façamos um confronto corajoso com a santidade do dom ministerial e nos questionemos se, de fato, nossa vida concreta se fundamenta na fé que professamos e adquire sua consistência a partir dos conteúdos constitutivos de nossa missão sacerdotal. Sim, a partir daí a nossa missão deixa de ser um fazer qualquer e torna-se naquilo que é: missão de santidade! (*) É arcebispo metropolitano de Maceió.