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Vestibular, esp�cie em extin��o

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Se sobreviver às mudanças, o vestibular completará cem anos em 2011. Apesar de ainda gerar defesa, por parte de interesses ligados à sua subsistência, ele representa o último gargalo que impede o desenvolvimento da qualidade na educação brasileira, porque simboliza tudo o que agora é considerado obsoleto na Era do Conhecimento. O Ministério da Educação parece estar atento ao fato e dá provas disso ao reformular o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e propor que ele seja aplicado também nos processos seletivos das universidades públicas federais. O ministério aponta, entre os principais objetivos da proposta, induzir a reestruturação dos currículos do ensino médio. De fato, eliminado o gargalo do vestibular, haveria maior estímulo à reestruturação dos currículos do ensino médio. É mesmo preciso abandonar visão ultrapassada do processo de ensino e aprendizagem e adotar nova abordagem, mais coerente com a atualidade. Vale a pena consultar a matriz de referência do novo Enem, organizada nas quatro áreas que comporão o novo exame: Linguagem, Matemática, Ciências da Natureza e Ciências Humanas. Ele exigirá os mesmos conteúdos cobrados nos vestibulares, mas agora os estudantes precisarão empregar mais a capacidade de raciocínio e compreensão do que a de memorização. Tome-se como exemplo a formação em Ciências ? área em que o Brasil tem experimentado sucessivos fracassos nas avaliações internacionais. A matriz do novo Enem possui cinco eixos cognitivos: dominar linguagens, compreender fenômenos, enfrentar situações-problema, construir argumentação e elaborar propostas. O novo Enem vem ao encontro da expectativa de expressiva parcela da comunidade de educadores, que já vem desenvolvendo recursos pedagógicos mais adequados à realidade atual, como a ?metodologia da investigação?, que consiste na construção de conhecimentos gerados pela necessidade de resolver problemas e capazes de mobilizar ações mentais que permitam o surgimento de uma visão mais ampla da realidade. A adoção de metodologias como essa, desde os primeiros anos escolares, reforçaria as expectativas do MEC de reformar o currículo do ensino médio. Com uma educação fundamental de qualidade, o estudante estará mais bem preparado para cursar um ensino médio inovador, ter bom desempenho no Enem e seguir com êxito os cursos universitários. É preciso, afinal, aceitar que o vestibular já cumpriu seu ciclo. Não há por que completar um século. (*) É físico e presidente da Sangari do Brasil.

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