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Opinião

O baixo sentimento de autoestima

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Encontramos, o mais das vezes, um sem número de pessoas com complexo de inferioridade. Alfred Adler, criador da corrente psicológica conhecida como psicologia individual, afirma que, vezes muitas, procuramos compensar os complexos de inferioridade com atitudes especiais. Em muitas pessoas o sentimento de inferioridade se esconde em um tipo de arrogância, construindo uma fachada de auto-segurança, olhando para os outros de cima para baixo. Numerosas vezes, tudo isso é sinal de que por detrás da fachada de arrogância nenhuma solidez notável existe, nenhum alicerce que ampare o pobre casebre construído sobre a areia. Outros compensam os sentimentos de inferioridade vangloriando-se de seu dinheiro ou de sua suposta capacidade. A caminhada de Zaqueu é uma história típica que nos apresenta a bíblia de compensação do complexo de inferioridade. Zaqueu, o chefe dos publicanos, era de estatura pequena e que, por esse motivo, precisava fazer-se grande. Para tanto procurou compensar seus sentimentos de inferioridade, tentando ganhar muito, uma grande fortuna, na arrecadação de impostos. Sendo o homem mais rico de sua cidade, assim pensava, seria respeitado e estimado de todos. Entretanto, aconteceu-lhe o contrário: quanto mais rico, tanto mais odiado e rejeitado. Mas, Jesus curou o fraco sentimento de autoestima de Zaqueu, ao olhá-lo simplesmente e ao convidar-se para comer em sua casa: Jesus não o julga, não o repreende, mas o aceita sem reservas. Esta experiência de ter sido aceito sem restrições transforma o rico e avarento cobrador de impostos. Agora, faz ele muito mais do que os seus julgadores: dá a metade de seus bens aos pobres. Não procura mais realçar a própria grandeza. Procura ele, agora, a companhia das pessoas, dividindo com elas sua riqueza e sua vida. Sente-se ele, então, como um homem entre os homens. Psicologicamente falando, a cura do sentimento de inferioridade somente se dá por meio da convivência coletiva, sentindo-se aceito como membro da comunidade dos seres humanos. É sentindo-se homem como os outros que chegamos a superar o complexo de inferioridade, por meio da autoestima, sentindo-nos nós mesmos autoestimados, como quantos caminham ao nosso lado. (*) É bispo emérito de Palmeira dos Índios e presidente da Academia Alagoana de Letras.

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