Opinião
O princ�pio da harmonia
Ao interagir, semanalmente, com leitores de variadas idades e distintas visões de mundo, tenho proposto e espero que, de forma ponderada, algumas reflexões sobre temas que permeiam o espírito humano. Não sei se é uma simples impressão oriunda da experiência dos longos anos de vida; ou a humanidade, de fato, encontra-se em um momento pleno de informações que lhe permitem um ambiente para reflexão e tomada de decisões rumo a um novo momento espiritual. Com isso, não me refiro apenas às ligações religiosas, mas as que envolvem a ética, o bom senso e as boas práticas do cotidiano. Nunca se disse tanto a respeito dos valores humanos em decadência e da urgente necessidade de uma reciclagem de conceitos e ideias. Porém, boa parte das relações humanas insiste no padrão desarmônico do poder sobre o outro, da competição desnecessária que prejudica e desvaloriza merecimentos. Até nos relacionamentos a dois é comum se perceber tais valores. Um dia desses, presenciei uma experiente mãe criar uma situação imaginária, como mecanismo didático para ajudar sua jovem filha a refletir sobre as bases de seu relacionamento amoroso. Tratava-se de uma relação conflituosa, permeada de atitudes egoístas e autoritárias que, em geral, resultava em tristeza e frustração para o casal. Em sua sapiência materna pediu para a filha imaginar dois casais caminhando pela areia da praia. O primeiro, de mãos dadas, conversava, alegremente; ora caminhando pela areia molhada, ora pela areia seca, parando e oferecendo água quando um ou outro se cansava ao longo da jornada. O segundo casal seguia, aborrecido, por desarmonias anteriores e pelos constantes conflitos sobre a melhor maneira e direção a seguir. Quando um ou outro cansava era motivo para novos desentendimentos. A mãe concluiu dizendo à filha que cabe a cada um de nós escolhermos a companhia e o formato dessa caminhada. Se, de partida, percebe-se que um dos companheiros ainda não é capaz de entender que o ritmo perfeito para se andar junto é o que oferece uma caminhada pacífica e harmoniosa, das duas uma: ou está na companhia errada ou ainda não estão preparados para o passeio. Esse simples e sábio ensinamento materno pode ser adaptado a quaisquer outras instâncias de nossas vidas, basta usarmos o bom senso e o princípio da harmonia em tudo que fazemos. É necessário vencer o pessimismo que amargura, aproveitando a alegria de viver e a arte de conquistar a felicidade pelo equilíbrio mental. (*) É médico.