Opinião
Cuidando do lixo
Dentre as matérias importantes em eterna tramitação nos desvãos do Congresso Nacional, a proposição para uma Política Nacional de Resíduos Sólidos, que perambula pelo Legislativo brasileiro há, nada mais, nada menos que 18 anos, parece que se encaminha para um desfecho positivo. Problema antigo, o destino final (e o correto manejo) do lixo agrava-se a cada ano, quer seja pelo inchamento urbano, quer seja pelo aumento do consumo. Os Lixões terminam compondo os cenários mais degradantes das cidades brasileiras. Segundo dados apresentados em evento sobre o tema, realizado nesta semana, em São Paulo, são produzidos cerca de 150 mil toneladas de lixo (sólido) por dia no Brasil e deste total, aproximadamente 55% vai fazer parte dos lúgubres ?lixões? a céu aberto. Os chamados aterros sanitários recebem 39% dessa produção diária e são alvos de várias críticas por problemas de eficiência, enquanto somente 6% do montante de resíduos sólidos estariam sendo, hoje, ?corretamente coletados e trabalhados em processos de logística reversa e reciclagem?. Um movimento intitulado Grupo de Líderes Empresariais (Lide) está coletando assinaturas para um documento batizado como ?Manifesto pela Aprovação da Política Nacional de Resíduos Sólidos?. Esse abaixo-assinado está sendo produzido para ser entregue aos deputados federais durante o próximo encontro da entidade empresarial, em Brasília. Para o Brasil, a estimativa é que a definição de uma política pública voltada para a solução deste problema possa, entre sete a 10 anos de aplicação, proporcionar destinação correta (ambiental e social) para 50% dos resíduos sólidos gerados pela sociedade e pelas empresas. Exemplos como o do Canadá (que alcançou, em quatro anos, sua meta de 55% de destinação correta ao lixo sólido) empolgam os ativistas brasileiros.