Opinião
11 de setembro
O execrado Nero Cláudio, um dos imperadores romanos do primeiro século da era cristã não teria sido um completo desastre como administrador. Sem contar com o suicídio, dois fatos, no entanto, detonam sua biografia: a ordem para matar a senhora sua mãe, D. Agripina e o célebre incêndio de Roma, aparentemente obra de uma conturbada mente. Explica-se a morte de Agripina por um viés psicanalítico, um certo complexo de Édipo mal resolvido. O incêndio de Roma teria a finalidade de incriminar os cristãos, nascente seita religiosa que, dentre outros preceitos, resistia a reconhecer sinais de divindade no imperador. Séculos depois de os cristãos terem sido lançados às feras do Coliseu, há exatos oito anos, as televisões do planeta mostraram ad nauseam cenas de dois aviões se chocando com as Torres Gêmeas, monumentos símbolos da riqueza e do poder americanos. Nunca dantes agredidos no seu próprio território, com um saldo de mortes que beiraram três mil pessoas, a tragédia transformou-se em incurável ferida narcísica. Logo se soube que o principal suspeito atendia pelo nome de Al Qaeda, aparato comandado por Osama Bin Laden, terrorista ex-aliado dos americanos em terras afegãs. O próprio Osama confirmaria essa participação por meio de teatrais aparições. Hoje, supostamente entranhado nas montanhas do Afeganistão, informações concretas sobre seu real paradeiro valeriam US$ 50 milhões. De repente, na contramão, fontes paralelas plantariam a ideia de que nunca houve qualquer ataque terrorista. Tudo não teria passado de uma cruel armação. Com argumentos ?irrefutáveis?, essas pessoas provam por a + b que as gêmeas, de fato, foram deliberadamente implodidas. Haveria indícios de prévia instalação de explosivos nas bases dos edifícios, manobra facilitada por uma espécie de ?férias coletivas? ao sistema de vigilância, um proposital cochilo sistêmico patrocinado pelo FBI a serviço de causas escusas do Nero redivivo George W. Bush. Sem ter cacife para polemizar, recolho-me a estranhar a apatia do povo e da imprensa americanos. Sim, porque no país que cultua a livre expressão, a certeza de que o chefe da nação era mentor de tal psicopatia, o único caminho seria a cadeira elétrica. O fato é que futurólogos e outros curiosos apontam o 11/9/2001 como o dia em que o mundo mudou. Sem querer ser egoísta e presunçoso, para mim a data simboliza sobretudo vida e esperança. Foi o dia em que o meu neto Caio nasceu. (*) É médico e professor da Ufal.