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Opinião

A caridade pastoral como base dinamizadora da miss�o

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É um amor fontal que age na vida do ministro ordenado como realidade primária e absoluta. A este amor primordial tudo está submetido, ele atua como força originária e dinamizadora da vida e da missão do ministro ordenado. Nenhum amor seja ele familiar, sexual, político, social, etc, pode se sobrepor a esta realidade primária. Todos os amores, na vida do ministro sagrado, estão subordinados à caridade pastoral e dela derivam como fonte. Quando perdemos esta lucidez e imputamos o valor indevido àquilo que está na periferia da vida, conferindo um caráter de centralidade, perdemos o justo equilíbrio de nossa fidelidade. ?O conteúdo essencial da caridade pastoral é o dom de si; o total dom de si mesmo à igreja, à imagem e com o sentido de partilha do dom de Cristo. ?A caridade pastoral é aquela virtude pela qual nós imitamos Cristo na entrega de si mesmo e no seu serviço. Não é apenas aquilo que fazemos, mas o dom de nós mesmos que manifesta o amor de Cristo por seu rebanho. A caridade pastoral determina o nosso modo de pensar e de agir, o modo de nos relacionarmos com as pessoas. E não deixa de ser particularmente exigente para nós?? (Pastores Dabo Vobis, 23). Aquela pergunta feita a Pedro está no âmago da dinâmica da caridade pastoral. Ele é indagado sobre seu amor a Jesus, afim de que possa cuidar do rebanho com o mesmo amor de Jesus. Há, pois, uma dimensão vertical (amor a Jesus) e outra horizontal (apascentar o rebanho) que se encontram no exercício concreto da caridade pastoral na vida do ministro. Deve haver, na vida do ministro ordenado, um espaço de contemplação e intimidade com Cristo-Pastor a fim de que sejam assimiladas as características e qualidades de sua caridade pastoral. Esta identificação com a doação plena de Jesus, que amou sua igreja e se entregou por ela (Ef. 5,25), é assimilada pelo ministro sagrado e transforma-se na razão de sua própria doação. Na sua pessoa e no seu ministério, o amor pastoral de Jesus é atualizado, torna-se visível, prolonga-se na história. Aquele que participa deste amor, acolhendo-o como dom, desenvolve com a igreja uma ralação esponsal, ?se torna capaz de amar a igreja universal e a porção dela que lhe é confiada com o entusiasmo de um esposo em sua relação com a esposa? (Pastores Dabo Vobis 23). (*) É arcebispo metropolitano de Maceió.

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