Opinião
Na hora de tirar os sapatos
O perigo de se preocupar tanto com beleza ou preço de um sapato é correr o risco de pagar um preço maior que a onda de consumismo tende a oferecer. E quando resolve-se ?descer do salto?, certamente são diagnosticados sérios problemas. Por se perder o limite, o ponto fraco se torna o ?tendão de Aquiles?, afirmam especialistas. Quando pessoas se perdem nas passadas, extrapolam limites, pisam onde não devem, as consequências são dolorosas. Voltou à tona a história do jornalista israelense que entrou de sola, defendendo seu país contra as infelizes pisadas dos soldados americanos liderados por Bush, ex-presidente dos EUA em dezembro passado. E como entrar de sola, dá cartão, ao ?descer do salto? o jornalista foi aclamado por alguns e condenado por outros. Preso e condenado esta semana voltou em cena, por ter permanecido de ?salto baixo? na prisão. Numa cultura onde as solas do sapato representam imundícies, com o protesto às palavras do contestado Bush, o preço da sapatada lhe rendeu fama, sapatos grátis pelo resto da vida ? de uma fábrica, várias propostas de emprego e até medalha honrosa. Mas, qual é o limite no uso de nossos sapatos ou a hora de tirá-los? Enquanto alguns usam a sola para pisar nos outros, outros se aproveitam para dar sapatadas e outros ainda preferem continuar no salto alto. Mas ninguém se livra das imundícies por onde pisa. Quando o bom senso e o uso conscientes de nossos calçados são ignorados, pisa-se em campo minado, ou anda-se em caminhos perigosos, no fim das contas todos somos traicoeiramente pegos de surpresa como Aquiles. Portanto, mais importante do que tirar os sapatos e marcar a calçada da fama, é saber qual caminho seguir. Por isso Moisés, depois de deixar um rastro de sangue no Egito, quando fez justiça pelas próprias mãos, chegou o momento crucial: ?Pare aí e tire as sandálias, pois o lugar onde você está é um lugar sagrado? (Êxodo 3.5). Chegou a hora de ?tirar as sandálias?, se despir da imundícia, e o único jeito era agachando-se. Coisa complicada quando todos vivem com o rei na barriga. Por isto, para não levarmos sapatadas por causa de nossas atitudes e palavras e por não conseguimos mais inclinar-nos, Jesus assumiu nossa sujeira. O Príncipe (da paz) substituiu o rei (que vive em nós) e se colocou como o caminho a verdade e a vida (João 14.6). Mesmo daqueles que não queriam, Ele tirou os sapatos (as sandálias ) e lavou os pés. (*) É teólogo e pastor da Igreja Luterana ? Maceió/AL.