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Alagoas, o homem e o atraso

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?No cenário esplêndido e majestoso onde marulhavam dolentes lagoas e serpeava murmuroso e ofegante o São Francisco, viviam várias tribos aborígines, entre as quais, pela selvageria de seus hábitos destacavam-se os ferozes Caetés. Eram índios odiados até pelos próprios autóctones do país, que contra eles formavam alianças para se proteger. Tanto que Duarte Coelho Pereira, donatário aqui chegando sofreu intensa e violenta resistência por parte destes silvícolas?. É como Moreno Brandão em sua clássica obra O Centenário da Emancipação de Alagoas, publicada originalmente em 1919, descreve nossos habitantes primitivos, ressaltando também que intensa foi a miscigenação entre os colonos portugueses e os índios que aqui habitavam. Nossa terra chega aos 192 anos de sua emancipação política e como escreveu apropriadamente o jornalista José Elias em sua coluna do dia 16: ?Alagoas só pode proclamar a independência, quando seus filhos estiverem elevados à condição de cidadãos; na grande maioria sobrevivendo como bichos, sua população? e, por aí foi descrevendo em privilegiada síntese a nossa realidade, no que deveria ser um momento de exaltação, mas que termina sendo de frustração. Tentando entender por que uma terra com tantas riquezas naturais --se confrontada com o ambiente hostil e árido predominante na maioria dos outros estados nordestinos -- insiste em permanecer como um dos mais atrasados e violentos, é que recorremos à obra clássica de Moreno Brandão, tentando ver se especificamente na formação do homem, alguma deformação poderia explicar nosso atraso, nosso demorado penar. Não se pode daí conjecturar que o alagoano tenha herdado uma carga genética propícia à violência, Darwin recusaria esta probabilidade que Lombroso defendeu sem sucesso. Todavia a perene cultura de resolver as diferenças pela via violenta, associada à corrupção entranhada nas diversas esferas do poder e mando, tem feito com que Alagoas permaneça sendo mesmo no Nordeste, um paradigma de atraso e subdesenvolvimento. Precisamos escapar desta senda de atraso e de violência, que se faz presente inclusive na forma de dirigir agressiva no trânsito, como um bando de caetés ensandecido ao volante. Inquestionavelmente, entre as prioridades estaduais, para termos um futuro melhor, o combate à deseducação, à violência e a sua irmã gêmea, a corrupção, em todas as suas formas e em todos os níveis, é fundamental para encontramos o caminho que nos possa dar um mínimo de esperança por dias melhores. (*) É médico e professor da Uncisal.

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