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Opinião

A mulher e a sua luta

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Desde a década dos 40 do século passado, precisamente a 6 de dezembro de 1948, a Assembleia Geral da ONU promulgou a Declaração Universal dos Direitos do Homem ? cujo texto expressava que ? todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos?, sem qualquer distinção de raça ou do que quer que seja ?, a mulher adquiriu um status que a coloca, oficialmente, no mesmo patamar que o homem. Apesar dessa conquista tão importante, ainda hoje nós mulheres somos obrigadas a conviver, inclusive através da imprensa, com manifestações arraigadamente preconceituosas de certos tipos que temem a nossa presença em postos antes reservados apenas ao sexo masculino e que sentem, por isso mesmo, saudades do tempo em que a nós se reservava apenas o papel de rainha do lar. São geralmente espíritos fracos, de homens sem personalidade, temerosos por estarem a perder a única coisa que ainda podia lhes valer, a regalia de fazer parte do dito sexo forte. E é por essa e por outras que séculos vão se sucedendo e as mulheres em geral continuam sendo vítimas das mais diversas formas de violência, seja pela família, seja pela sociedade. Isso vemos pela imprensa, pela televisão, pelo rádio, cotidianamente. Nosso país carece de punições exemplares para quem descumpre as leis, o preconceito não deveria ser tolerado, mas se mesmo os mais brutais assassinatos tem ficado por anos impunes ? vejam o caso da deputada Ceci Cunha ?, imagine esses delitos que muitos nem consideram como tal. Aqui em Alagoas tivemos e temos pessoas e grupos combativos em defesa dos direitos da mulher, desde Linda Mascarenhas, que lá pelos anos 30, sob a inspiração de Bertha Lutz e Lily Lages, fundou a Federação Alagoana pelo Progresso Feminino, até a instalação do Cedim, depois absorvido por uma secretaria de estado. Assim de memória posso me lembrar de muitas dessas, como Lígia Toledo, Wedna Miranda, Terezinha Ramires, Solange Jurema, Kátia Born, Aparecida, Taís Normande, além de outras. Outra grande conquista, esta das mulheres brasileiras, foi a Lei Maria da Penha, assim chamada em homenagem àquela que foi tão brutalizada pelo marido que acabou em cadeira de rodas. Pois bem: além de ainda não ser convenientemente observada, setores retrógrados do Congresso Nacional pretendem amenizar algumas determinações daquele estatuto, como se já fizéssemos parte de uma sociedade de primeiro mundo. Atentas a esse movimento, que certamente vai reduzir a eficácia da referida lei, entidades de mulheres começam a mobilizar-se em campanhas de divulgação, para que nós, as mais interessadas, possamos usar das variadas formas de pressão sobre os congressistas de forma a evitar que se dê mais esse passo atrás. É isso aí! (*) É escritora.

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