Opinião
A miss�o santificadora dos ministros de Deus (2)
Não podemos jamais encarar nossa missão de forma meramente profissional, como se as realidades com as quais tratamos não interferissem na intimidade de nossas vidas. O papa Paulo 6º dizia que ?o sacerdócio não é uma profissão ou um serviço qualquer exercido em favor da comunidade eclesial, mas um serviço que participa de maneira absolutamente especial e com um caráter indelével na potência do sacerdócio de Cristo, graças ao sacramento da Ordem?. Quando Deus elege pessoas para o seu serviço e lhe confia tarefas, quando a Palavra Divina toca no íntimo das pessoas, ele exige um sim pessoal de quem é chamado, como também uma forma de vida que deixe transluzir em forma de sinal visível que revela que a pessoa foi de fato eleita para o serviço do Senhor. O que nos encanta é o vibrar do Apostolo Paulo: ?Pois eu trago em meu corpo as marcas de Jesus? (Gal. 6,17b). Abraão tem que abandonar com fé sua pátria e rumar para o desconhecido, converte-se em um forasteiro sem casa ou pátria para se tornar, pela sua adesão a Deus e a mudança radical de sua vida, em ?fonte de bênçãos para todas as gerações? (Gn.12,2). Moisés e os profetas dão testemunho desta unidade que deve haver entre a vocação e o testemunho da própria vida. Sem este vivo testemunho, torna-se inócua a nossa missão e nosso ministério. Em Jesus nosso modelo e razão de nosso ministério, nós encontramos a mais perfeita unidade entre a missão e a existência. O reinado de Deus que é o coração de sua missão e de sua atividade é, antes de tudo, uma realidade nele mesmo, para depois ser comunicada ao mundo. Os santos padres chamam Jesus de ?o reino de Deus em pessoa?[1]. Ele é o que faz e o que ele faz é a revelação de sua pessoa. Há em sua vida uma unidade indissolúvel entre o sinal e a realidade, entre o testemunho e aquilo que é anunciado. Sim, foi este o grande esforço na compreensão dos discípulos de Jesus. ?Há tanto tempo estou convosco e tu não me conheceste, Filipe? Quem me viu, viu o Pai? (Jo. 14, 9). (*) É arcebispo metropolitano de Maceió.