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Opinião

Bonn a terra de Beethoven

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A capital da Alemanha Ocidental, apesar de ter sofrido sérias destruições, conserva ainda muita coisa de seu aspecto secular. Estávamos no rigor do inverno. Suas casas se tornavam mais sombrias dentro daquela atmosfera de chumbo. Suas avenidas largas se despejavam nos parques nus e frios, cujos bancos, dispostos sob as árvores desfolhadas, jaziam completamente abandonados. As admiráveis torres alongadas de sua imponente catedral prederam nossa atenção. Rodamos pela cidade; visitamos o parlamento, os museus, e a universidade, fazendo fotografias de tudo. A universidade de Bonn, na qual estudavam os príncipes alemães, goza, até hoje, de sólida reputação. Nela se ensina Medicina, Direito, Belas Artes. Música, etc. Nas ruas os estudantes andavam em alegres bandos. Bonn é mais conhecida do resto do mundo por ter sido o berço de Beethoven. Vamos visitar sua casa, hoje um Museu que guarda lembranças do músico. Entramos numa rua estreita e tortuosa e estacionamos a porta de uma casa de fachada agradável. Subimos por uma escadinha de madeira roliça e nos introduzimos nos cômodos em que viveu o músico. A luz fraca do crepúsculo, penetrando pelas janelas, iluminava o busto, em mármore de Ludwig. De sua cabeleira revolta, de sua fisionomia enérgica, vincada pela amargura, transparecia uma personalidade decidida e inflexível. Passamos os olhos demoradamente, pela sala, observando, comovidos, aqueles objetos que evocavam a vida de Beethoven. Dentro de uma vitrine, víamos o programa de um de seus concertos feito aos oito anos. Lembramo-nos do constrangimento e revolta que o menino sentia, quando, nessas ocasiões, o pai o apresentava, de maneira humilde, à corte. A forma subserviente, com que devia tratar seus superiores, minava-lhe o coração rebelde e super sensível de desprezo por aqueles nobres arrogantes. Mais adiante encontramos os manuscritos de suas composições. A caligrafia firme, apressada e decidida, refletia o caráter do grande gênio. O conteúdo de suas dedicatórias revelava sua superioridade agressiva, seu desejo de domínio, sua autoconfiança, seu temperamento selvagem, irrequieto e ardente. Demoramos o olhar por aquelas sonatas, concertos, sinfonias, cheios de acordes graves, escalas, crescendos, fortíssimos, pianíssimos, adágios, largos, súbitos alegros, que imprimiam, em sua música dominadora, uma dramática sonoridade. Por todo lado bustos, retratos do extraordinário mestre. Um deles fixava o gênio aos 29 anos. Seu rosto atrevido, onde brilhava um olhar inteligente, parecia engolfado no colarinho alto. (*) É membro da Academia Alagoana de Letras.

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