Opinião
Anda, Mariana, porque chegar�s
Anda, Mariana; caminha devagar, feliz, sem pressa, certa de que chegarás. Caminha, como quem vai conversando com alguém que te ama, que te acompanha, a cada instante e que, às vezes, parece ausentar-se para te encontrar, bem ali, na curva da estrada. Por isso, nunca deixes de caminhar. Caminha, sem pressa, como quem vai contando uma ?história? a si mesmo, alongando o caminho, no ritmo dos passos. Fica sabendo que, a cada passo teu, a brisa nasce ou uma pétala desponta na colorida rosa. Anda despreocupadamente, como quem quer saborear o gosto de cada passo. Caminha tranquila, mas fortemente, imprimindo, no chão que tu pisas, a marca de teus passos, sem te prenderes a nenhum deles. Cada passo é vida. Qualquer momento da vida pode contar a história de todos os instantes da caminhada. O importante é, no itinerário, ir pensando naquele encontro que surgirá de repente, muito mais que de repente, repentinamente, como por encanto. O importante, Mariana, é caminhar sem medo, porque o melhor acontecerá, vez que nossa história e a da humanidade foram planejadas pelo mesmo artista. Vai em frente. Teu itinerário é longo. Anda, à semelhança de quem vai cantando melodiosa marcha-rancho, na estrada batida ou asfaltada da vida. A cada passo, procura repetir: eu quero caminhar, eu posso ir em frente, eu não tenho medo, eu posso, eu quero perseverar, eu posso vencer, eu posso chegar ao endereço certo. Caminha, Mariana, sabendo que estás emprestando pernas para quem é paralítico, descobrindo que estás caminhando em lugar de tantos enfermos nos leitos das UTIs, nos quartos dos hospitais e dos postos de saúde. E serás feliz, porque estás caminhando em lugar de milhões que não podem andar. Caminha. Após a Ressurreição de Cristo, todos os caminhos se tornaram estradas de Emaús. Sim ? estradas de Emaús. Quer dizer que, ainda sem perceberes, não caminhas sozinha. Alguém anda a teu lado, de maneira invisível, mas bem real, ensinando-te palavras de vida. E tu deves ter o coração aberto para as luzes do Alto,como as pétalas da rosa voltadas para os benfazejos raios do sol. (*) É bispo emérito de Palmeira dos Índios e presidente da Academia Alagoana de Letras.