Opinião
Menos sectarismo
Polêmicas não devem ser eludidas, varridas para baixo do tapete da política, sob pena de acirramento de determinadas contradições, explosivas por sua própria natureza. Esta é a realidade do debate, ainda tímido, gerado em torno do apoio governamental a uma feira de produtos agrícolas realizada na Praça da Faculdade. Uma das mais importantes entidades representativas dos empreendedores rurais emitiu nota criticando o apoio dado pelo governo a um evento vinculado aos movimentos ?sem-terra?, considerando que tal gesto representaria um aval a todo um conjunto de ações agressivas realizadas pelas várias entidades abrigadas sob a consigna dos ?sem-terra?. Por sua vez, entidades representativas dos autointitulados ?sem-terra? responderam à crítica, refutando o termo ?patrocínio? e trombeteando os êxitos desses movimentos em sua política de ocupação e produção rural. Apesar dos chavões usados à larga, de lado a lado, a polêmica tem sua razão de ser. A questão central em debate é ?como o governo deve se portar frente aos vários movimentos sem-terra?. Não é questão simples, pois complexas questões estão envolvidas, desde as sociais até as policiais, passando pelas econômicas, e, especialmente, pela política. Como se sabe, há tempos, que a questão social não é questão de polícia, mas de política, esse debate precisa ser menos radicalizado e, sem tergiversações, buscar-se soluções práticas para os problemas fundiários brasileiros. Daí, poder-se-ia chegar a encaminhamentos menos sectários, como o condicionamento do apoio governamental à prática de procedimentos democráticos por parte dos movimentos sem-terra. Ou seja: apoiar-se-ia feiras e eventos semelhantes e aplicar-se-ia a lei (e a polícia) contra badernas de todos os tipos, como ocupações ilegais, invasões de órgãos públicos, fechamento de rodovias...