Opinião
Decad�ncia da �tica
Quando padrões e valores cada vez mais usurpados, descaradamente se disseminam, de quem será a culpa? Até onde conseguiremos suportar e viver com decência em sociedade? Casos como o do médico processado por dezenas de mulheres por ter ido mais longe do que deveria; do dentista denunciado que cobrou por um serviço e realizou outro; do policial apontado como estuprador, que durante o trabalho invadiu a casa e abusou de uma jovem mãe; dos jovens responsáveis por falsidade ideológica em realização de prova; do cidadão (eu?!) que sai de casa sabendo que está errado, mas com o dinheiro do suborno no bolso; ou de qualquer líder, que por meio de sua função abusa do discurso moralista: ?Faça o que eu digo e não faça o que eu faço?. Os conselhos de ética, que representam uma determinada categoria, deveriam trabalhar sem parcialidades, elegendo pessoas altamente capacitadas, para estudar e entender os casos, emitir opinião própria, não colocar ?panos quentes? ? como infelizmente acontece em muitos casos: assessores em defesa do batido ?jeitinho brasileiro?. Se faltar ética, ou como Lutero escreveu: bom senso, para aqueles que representam, significa que já a falta aos que são representados, que os colocaram ali. A ética está baseada numa ordem natural, para um bem comum, sem ela se torna cada vez mais difícil a convivência social. Assim ela é igual para todos. A decadência da ética está firmada na falha básica do ser humano, na cobiça ou compulsões da vida ??raiz de todos os males? ? 1ª Timóteo 6.10. Estas que atropelam toda a ordem natural e invadem a liberdade alheia, a honra, os direitos. ?Todas as coisas são lícitas, mas nem todas convêm? ? 1ª Coríntios 6.12. Lamentavelmente esta bandeira do lícito é levantada por muitos em busca de benefícios próprios, em nome de uma ideologia egoísta, de um partido ou de uma falsa moral. Apelações deste tipo roubam a liberdade, chamam para a mesma roda suja e nojenta da decadência. Não convém dar corda! São bem atuais as palavras de Jesus: vemos o cisco no olho do nosso próximo e não vemos a trave no nosso olho. Por isso, Ele nos ensinou como proceder: não só criticar, mas fazer diferente. Assumiu seu ofício, nosso papel ? garantiu-nos liberdade. Chega de sangue, bastou o dele! Agora todos podem ser livres, livres para servir onde são chamados. Ser ético é viver neste princípio, para o bem comum. Comecemos pela base, comecemos por nós! (*) É teólogo e pastor da Igreja Luterana.