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Opinião

Julgamento humano

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O escritor e cineasta Arnaldo Jabor, analisando as circunstancias humanas, fez uma curiosa observação ? a reputação é o que os homens dizem de você junto à sua sepultura. O caráter é o que os anjos dizem de você diante de Deus. A referida reflexão observa o resultado dos episódios e atitudes que marcam a vida das pessoas, na sua trajetória terrena. Revela sua vocação maior, a expressão natural de sua alma, o elenco de gestos perante o julgamento de seus semelhantes. Todos levam para a última morada os reflexos dos seus pecados e a grata lembrança das boas ações. Felizes aqueles que tiveram oportunidade de rever atitudes, celebrar aproximações e formular novos rumos para seus ideais. Os que conquistaram a gratidão dos homens e o conforto de sua própria consciência, pela probidade de conduta, enfrentam com serenidade a decisiva despedida e descansarão em paz na vida eterna. O sentimento de ser justo pacifica a alma humana. Espelha o cumprimento do dever. Expõe uma prova de equilíbrio e sensatez diante dos dilemas e apelos reinantes no percurso da existência. A advertência contida no Eclesiastes ( 7,17 ): ?Não sejas demasiadamente justo? remete à lembrança das profundas meditações e faz parte também dos ensinamentos emanados dos grandes pensadores. Montaigne em seus famosos Ensaios escreveu no capítulo sobre a experiência ? é forçado fazer mal a varejo quem quer fazer bem por atacado, e injustiça nas coisas pequenas quem quer chegar a fazer justiça nas grandes. Nesse contexto de entendimento, outro célebre escritor, considerado o inventor dos perfis humanos, William Shakespeare, sentenciou ao seu estilo ?uma injustiça, pequena cometei, para fazerdes, uma grande justiça?. O decorrer do tempo impõe aos cidadãos um balanço de seus atos, o passado não deve representar lembranças esmagadoras, assim, reacendem-se valores aparentemente esquecidos e se buscam, com ardor, princípios que colocam a consciência em paz com o mundo. A ciência política declara ser necessário compreender antes de julgar. Mas, no mundo das paixões pontificam as emoções e os interesses partidários. Todos os seres humanos desejam, na última cena da vida, merecer gratos reconhecimentos, antes que as luzes se apaguem definitivamente. (*) É advogado.

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