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Opinião

Impunidade “social”

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Os dois destaques, editados com justeza, na edição de ontem da Gazeta de Alagoas, são esclarecedores acerca da condenável vertente liberticida que parece conduzir, sem resistências, algumas das principais ações reivindicatórias em nosso Estado, em prejuízo dos direitos da maioria da população. Emblemática fotografia, valendo por (ou mais de) mil palavras, mostra uma cena vergonhosa para a cidadania: um féretro sendo conduzido, à pé, sob sol causticante, porque um grupo de rodoviários resolveu interromper o trânsito e nem aos mortos demonstrou a mínima consideração. Manchete da capa, o fim da greve da educação não representa o término dos sofrimentos dos alunos. Espoliados em seu direito de aprender, milhares de estudantes da rede pública, mais uma vez, foram surrupiados em, pelo menos, 60 dias de aulas. Tempo perdido que jamais lhes será reposto, nem em quantidade, nem em qualidade de horas-aula. Em ambos os casos evidencia-se a supremacia da anticidadania, a ditadura dos interesses corporativos. ?Dane-se todo o resto da população?: parece ser a consigna de parte considerável das entidades sindicais. Para os rodoviários que ousaram interromper, por horas, o trajeto numa das principais vias de acesso à capital, pouco importa a vida e os direitos das pessoas que necessitavam transitar naquela ponte durante aquele tempo. E, o mais grave, nada lhes será cobrado por essa violência, sequer uma mísera multa de trânsito, num grande incentivo à baderna e ao desrespeito ao próximo. Para os deseducares que cassaram o direito às aulas a milhares de estudantes, também pouca ou nenhuma responsabilidade lhes será exigida. No retorno, faz-se-á-de-conta que um determinado número de horas-aulas foi ?reposto?, conformando o mínimo de horas-aulas ministradas e não se falará mais nisso. Até que...

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