Opinião
A pesquisa cient�fica no ensino superior
Ao observar produções recentes de trabalhos acadêmicos e Trabalhos Finais de Graduação (TFG), também chamados de Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC), pode-se sentir a grande dificuldade que estes acadêmicos e formandos vêm passando. É impressionante a inapetência que os alunos apresentam na construção de textos. É compreensivo se tivermos uma perspectiva maior para enxergarmos esta problemática, que não se resume apenas à qualidade do ensino. Um dos motivos que influenciam é o turbilhão de atividades desenvolvidas e exigidas hoje em dia. A falta de tempo, correria, ocupações com trabalho e compromissos têm gerado dispersão do tempo que deveria ser mais voltado para o aprendizado, inclusive para a produção acadêmica. Esta problemática é tão séria, que tem acarretado, em muitos casos, na desistência e na evasão escolar. O ideal, na verdade, seria que o aluno já viesse preparado para as atividades de pesquisa do ensino médio ? antigo curso científico (não é por acaso que ele possuía esta denominação). Mas na prática a situação é diferente, tornando-se gritante e preocupante. O problema é maior do que se imagina. Muitas vezes o aluno não sabe nem ler. E o que é pior, às vezes até interpreta errado, e quando isso acontece pode desencadear a divulgação dessa má interpretação. Problemas com a coerência e a gramática então nem se fala. A deficiência do ensino direcionado à pesquisa e de disciplinas nas grades curriculares dos cursos de graduação que tenham como base a metodologia científica é a maior causa desta dificuldade apresentada pelos alunos sem falar da desatualização e contradição existentes entre professores e até entre autores de obras na área da metodologia da pesquisa quando se referem às normas regulamentadoras, sejam as da ABNT, Vancouver, ou outra. Isto tem causado uma enorme confusão entre os discentes e até entre os docentes. É muito difícil ?- pode-se dizer até raro ? encontrar obras sem desencontro com as normas técnicas da ABNT. Para que haja de fato um desenvolvimento acadêmico-científico é fundamental que as instituições de ensino forneçam um suporte de regulamentação e orientação para pesquisa. Tanto um suporte físico-estrutural como acadêmico. O acompanhamento por um professor, pelo menos, é obrigatório e este acompanhamento deve ser intensivo, desde a formulação do tema-problema junto ao planejamento, com o projeto de pesquisa, até a apresentação do trabalho. Para uma formação adequada, o discente deve durante todo o processo acadêmico desenvolver trabalhos de pesquisa durante a jornada acadêmica. Cabe aos professores do ensino superior ter a resiliência e a boa vontade de incentivá-los, mesmo diante de tantas dificuldades, estimulando-os a continuarem e a atingirem o grau necessário para a progressão não somente acadêmica, como profissional. (*) É professora universitária.