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Opinião

Gigantes da nossa Medicina

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Quando comecei a exercer a Medicina no fim de 1975, a Santa Casa de Misericórdia de Maceió já tinha uma longuíssima história de prestação de serviços à comunidade alagoana; o hospital então ainda era ocupado majoritariamente por pacientes muito carentes, sem qualquer tipo de cobertura previdenciária, os indigentes, que constituíam a grande maioria de sua clientela. Na época, o diretor médico era o dr. João Fireman, obstetra que se dedicou de corpo e alma à Santa Casa, em prejuízo inclusive da prática da especialidade. Dr. Fireman foi um homem avançado para a sua época: entre outras inovações, foi ele quem primeiro visualizou a necessidade de Alagoas ter um serviço de ponta de cardiologia, que realizasse as cirurgias e os transplantes cardíacos, o que se tornou realidade com o dr. Wanderley e sua excelente equipe em meados de 1978. Outro dedicado médico que encontrei na instituição e que muito me impressionou foi o dr. Rodrigo Ramalho. Urologista e cirurgião-geral, muito experiente em tratar pacientes com câncer, tinha um jeito peculiar de trabalhar. Certo dia, ao me procurar para discutir um caso complicado de câncer, disse-me: ?Davi, se quiser uma coisa ruim para um inimigo, deseje-lhe um câncer de bexiga!? ? realidade que ainda perdura. Eram dois profissionais exemplares na sua dedicação à Medicina e à Santa Casa em especial, reduto onde durante muitos anos puderam praticar uma medicina solidária, com um cunho social profundo, fundamentado prioritariamente no atendimento aos mais necessitados. Os indigentes eram atendidos e tratados pela instituição sem que a mesma ou os médicos que os assistiam recebessem qualquer remuneração. Os procedimentos mais complexos e onerosos, como as diálises, as cirurgias cardíacas e os tratamentos de câncer assim eram realizados rotineiramente. Fazia-se muito com muito pouco. Desde então, a Medicina e a Santa Casa avançaram tremendamente e seus custos elevaram-se consideravelmente. Reconhecendo seus inolvidáveis méritos é que a diretoria da Santa Casa de Misericórdia de Maceió corretamente resolveu homenageá-los nesta semana, durante as solenidades de aniversário de 158 anos da instituição, dando seus nomes a duas novas unidades institucionais. Dr. João Fireman e dr. Rodrigo Ramalho são como faróis que, mesmo não estando hoje entre nós, iluminam e orientam naqueles momentos mais difíceis para os que praticam a Medicina com seriedade e compromisso, onde os que sofrem sempre precisam ser bem atendidos e amparados, principalmente os mais desprotegidos. (*) É médico e professor da Uncisal.

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