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Opinião

Pomp�ia dos tr�picos

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Pompéia, esposa do imortal Júlio César, amargava a clássica ?solidão das mulheres dos grandes homens?. O isolamento despertaria inconfessas lubricidades. Certo dia, um mais voluptuoso seria visto nos corredores palacianos aparentemente vagando, ?perdido?. Feito prisioneiro, foi levado a julgamento, ao qual o próprio imperador testemunharia pela libertação do preso, sem admitir qualquer participação da esposa. Depois disso, Pompéia sofreria o definitivo desprezo de César. Instado a explicar-se pela ambiguidade, teria dito aos amigos: ?Sobre a mulher de César não podem pairar nem suspeitas?. Falando de tribunais e insuspeitos, no imaginário popular, os ministros do Supremo Tribunal Federal representariam o que existe de mais sério, puro e competente do saber jurídico. Teoricamente, foro de depuração das dúvidas atrozes, 11 Salomões togados, tendo como retaguarda os olhos vendados da deusa, revezam-se periodicamente no esforço de praticar Justitia suum cuique distribuit, que em liberal tradução (que me perdoem Aloysio Galvão e Renira Lima) pode significar ?a Justiça dá a cada um o que é seu?. Verdades axiomáticas, decisões do STF ?não são discutidas, mas cumpridas?, proclamam, com falsa humildade, resignados perdedores. Temos agora o caso Antonio Toffoli, ?garotão? de 41 anos, menina dos olhos do presidente Lula, como candidato à vaga de ?guardião constitucional?. Toffoli, titular da AGU, é, como dizem, antes de qualquer coisa, fiel escudeiro do Partido dos Trabalhadores. Homem da intimidade do presidente, a pouca idade com que galgará o STF faria pensar num fenômeno do Direito: um novo Pontes de Miranda, quem sabe um redivivo Montesquieu. Infelizmente, o histórico do advogado do PT não se compatibiliza com o de gênio precoce da doutrina que imortalizaria Rui Barbosa. Com efeito, adversários, a imprensa raivosa e golpista, reacionários da vida política e até cidadãos comuns, vêm destacando a falta de brilho do seu currículo. Reprovado em dois concursos para juiz de primeira instância, não deixa de ser irônico o sujeito ser içado à condição de quase divindade da justiça. Para completar, o polêmico Toffoli ainda contabiliza amargas condenações por má conduta com o erário estadual. Daqui a pouco julgará a si mesmo. A certeza, no entanto, é de que nada disso influenciará a ?rigorosa sabatina? a que será submetido antes da nomeação. Pompéia não se sairia melhor. (*) É médico e professor da Ufal.

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