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Opinião

Sobre a perman�ncia das coisas e a obra de arte

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Em seu livro A Condição Humana (1958), Hannah Arendt, prestigiada filósofa alemã, cujas reflexões vão além da temática sobre o totalitarismo, discutiu claramente sobre a necessidade do homo faber materializar objetos mundanos, que conferem ?estabilidade e lugar seguro? ao ser humano. A obra de arte para Hannah Arendt possui ?suma permanência?, perpetua-se através de sua durabilidade. A arte é para ela o lugar no qual a estabilidade humana transparece. A proposta deste artigo não é discutir arte em sua totalidade, suas diferentes correntes, suportes, circuitos e novas mídias, mas a reflexão na ?contemporaneidade? de como esta por meio de sua diversidade se sustenta na ideia, na inteligência do homem urbanus, que não deixa de olhar para dentro de si próprio com suas identidades, suas memórias e desejos, os quais se refletem e se materializam na obra de arte. Uma reflexão a partir do pensamento de Hannah Arendt, questionadora dos valores que englobam a complexidade da ?condição humana?, tão presentes na contemporaneidade. A exposição de Chalita-Bérard atesta a durabilidade da obra de arte e o seu resgate enquanto locus do que de melhor tem a capacidade criativa do homem, a possibilidade de emocionar, questionar e protestar. A partir dos quadros de Daniel Bérard, além da técnica apurada, da riqueza de detalhes, dos seus portraits, percebemos o que nitidamente a obra de arte é capaz de fazer: emocionar e perpetuar. A exposição também emociona com uma nova geração dos Bérard, por meio da artista Isa, que também convida o espectador a apreciar as belezas naturais de Alagoas. A obra do grande mestre Chalita é extremamente densa e vasta, chega a englobar e se confundir com o próprio artista através de suas temáticas e força visual, em uma metonímia perfeitamente entendível, quando falam do nome do autor, Chalita, em lugar da obra. Ao procedermos com o exercício de leitura visual das obras expostas de Chalita, extrapolamos para além da enumeração e identificação dos elementos da composição visual, pois a força e tensão visual, equilibradas magistralmente, nos levam a participar das obras, seja pelas grandes dimensões de algumas telas (2,00x1,95), pela temática que conta nossa história ou pela forte expressividade das pinceladas do artista. É o que observamos em obras como O paraíso tropical, da série Paraíso-Brasil 500 anos. (*) É professora mestre do curso de Arquitetura e Urbanismo da Ufal.

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