Opinião
Crise nos munic�pios
Vários dos 102 municípios alagoanos suspenderam, mais uma vez, o atendimento ao público. A justificativa apresentada é a diminuição de suas receitas com os novos cortes feitos nas parcelas do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), bem como nos repasses das verbas do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb). A julgar pelos números divulgados pela assessoria da Associação dos Municípios Alagoanos (AMA), por causa dessas reduções, os nossos municípios já perderam mais de R$ 128 milhões. Só em abril último, segundo a AMA, teriam sido retirados R$ 9 milhões do que deveria ter sido aplicado exclusivamente na área do ensino por meio do Fundeb. Novamente, os clamores dos prefeitos ? pelo menos os das cidades onde a escassez de dinheiro parece ser cada vez mais dramática, suas reações que têm resultado até na interrupção dos serviços mais procurados pelo povo ? acontecem em meio aos protestos com greves promovidos por servidores públicos em decorrência dos atrasos de salários ou por reajustes salariais. E sempre, entre os motivos apontados para esse amontoado de problemas, surgem as acusações relacionadas aos desvios de dinheiro público envolvendo administrações passadas. São cada vez mais necessários os esforços, todo um trabalho de conscientização, a fim de que os diversos segmentos da sociedade ajudem o País a contar com o maior número possível de cidades dotadas de mecanismos inibidores da utilização de maneira perversa dos recursos públicos, que tanto tem concorrido para o agravamento de problemas como esta crise nos municípios. Um dos mais importantes desses mecanismos é ainda o controle social, que deve ser colocado na relação de prioridades de muitas casas legislativas espalhadas pelo território nacional.