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Opinião

Responsabilidade socioambiental

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Tenho uma amiga que desenvolve uma tese de doutorado na área ambiental e, como expectador atento do tema, sempre que posso converso com ela sobre esse grande desafio da atualidade. Em seu trabalho, ela investiga qual é o entendimento de Natureza para o homem contemporâneo, especialmente para os cientistas que trabalham com o aquecimento da Terra, desde que, com base na análise desses cientistas, muitas decisões sérias são tomadas, envolvendo principalmente a vida humana e a economia dos países em todo o planeta. Aconselhou-me a ler o livro de um influente ambientalista americano (Bill Mc Kibben) intitulado O Fim da Natureza. Não resisti à indicação da leitura. Primeiro, pelo fato de o autor ser um ambientalista; em segundo lugar, por suas ideias abertas à discussão ampla do tema. A obra de Mc Kibben, além de oferecer leitura fácil e agradável é dividida em dois capítulos ?O presente? e ?O futuro?; ele expõe a situação ambiental do planeta sem afetação e com muita capacidade interpretativa. Porém, o que mais me surpreendeu foi a capacidade do autor de explicar o que é natureza para a humanidade e o porquê de ele entender que ela chegou ao fim. Para ele, a ligação que temos com a natureza é existencial. Depreende-se da leitura que a natureza em sua plenitude, beleza, eternidade e constância representa Deus. Reflete que a educação ambiental é necessária e dela nos descuidamos. Para a maioria das pessoas, a emissão de gases do efeito estufa parece coisa distante; ventanias destruidoras, enchentes exageradas, degelos, mudanças climáticas, nada tem a ver com nossas vidas. Em geral, não paramos para pensar na natureza, justamente porque imaginamos que Deus sempre está ali, como pais que aguardam os filhos pela madrugada. Mesmo sabendo que a natureza já não está bem, nutrimos em nosso inconsciente a fé de que ela vai recuperar-se como sempre o fez. Essa ideia mágica que marca nossa relação com ela, desde a época pré-histórica, continua presente na mente humana e nunca cessará. Encontramo-nos numa encruzilhada, em que a humanidade terá que decidir entre mudar seus hábitos e modo de viver ou continuar nesse processo destrutivo, que talvez até permita a continuidade da vida humana na Terra, mas em um mundo artificializado que não mais poderemos chamar de natureza. Tudo leva a crer que ?meio ambiente? entrará, obrigatoriamente, na agenda política da próxima campanha eleitoral. (*) É médico e ex-secretário de Educação e de Saúde.

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