Opinião
Paulo Coelho
JOSÉ MEDEIROS * Mago é palavra registrada nos dicionários com vários significados: 1. ?Cada um dos três reis que foram a Belém adorar o Menino Jesus?; 2. ?Antigo sacerdote do reinado persa?. Esses sentidos da palavra mago não nos interessam no momento; fixemo-nos naquele que se refere a pessoas místicas, bruxos, feiticeiros, astrólogos, advinhos. Paulo Coelho é um desses magos? Se alguém lhe faz essa pergunta ele sai pela tangente e responde que havia duas profecias a seu respeito: uma, a de que não ultrapassaria o segundo livro publicado; caso isso ocorresse, não passaria da terceira obra editada. Foi eleito, recentemente, para a Academia Brasileira de Letras. O autor superou as previsões pessimistas e transformou-se no maior sucesso editorial da indústria livresca. Vendeu 41 milhões de exemplares de seus livros, traduzidos para mais de 56 idiomas. Um dos símbolos da literatura portuguesa, o escritor Machado de Assis, ficava feliz quando vendia 200 exemplares de uma de suas obras. Muitos anos depois, quem se insurgiu contra esse estado de coisas foi o revolucionário Monteiro Lobato, que de bom escritor virou dono de editora. Espantou-se quando descobriu que só havia, no Brasil, 40 livrarias (isso lá pelos idos de 1922). Resolveu criar um esquema alternativo de distribuição de livros. Em sua obra Prefácios e Entrevistas conta como ampliou esse mercado de livros. É singular a maneira como procedeu. Conseguiu mil e duzentas novas casas comerciais que passaram a vender livros. Paulo Coelho encontrou uma estrutura editorial renovada e ampliada. Entretanto, não há como negar, alcançou um êxito extraordinário. Difícil explicar tanto sucesso. ?Marketing?, estratégia de imagem e de som, demorada exposição na mídia, ou o conteúdo dos seus livros agradam em cheio? ? De tudo, um pouco. Acrescente-se a simplicidade como diz as coisas que quer dizer. É um mágico da palavra. Em sua história de vida há episódios dignos de menção: fez músicas em parceria com Raul Seixas, foi diretor de teatro, jornalista e viajante inveterado. Realizou a famosa peregrinação à Santiago de Compostela, 760 quilômetros a pé; fez isso o grande ?leitmotiv?, o motivo central da trama de seus romances. Conta-se que oito anos depois de publicado o seu primeiro romance O Diário de um Mago, Paulo Coelho solicitou à Embaixada do Brasil na Espanha um auditório para fazer o lançamento do livro, em sua edição espanhola. A Embaixada relutou, não conhecia o escritor. Fazendo pouco caso do assunto, distribuiu cem convites, choveram pedidos a mais. Expediu mais cem e a procura continuou. Para surpresa do embaixador mil pessoas compareceram ao lançamento. Aos 53 anos, Paulo Coelho transformou-se no escritor mais lido do Brasil. É literatura moderna que caiu no gosto do povo. O ingresso na Academia Brasileira de Letras é conseqüência desse trabalho. (*) É MÉDICO E EX-SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO E DE SAÚDE