Opinião
Uma serena certeza
Acabei de participar em Roma de um encontro de novos Bispos do mundo inteiro, os consagrados nos últimos doze meses. Éramos 109 sucessores dos apóstolos, daqueles doze primeiros aos quais o Ressuscitado apareceu e deu a missão de testemunhar diante dos irmãos e de todo o mundo que ele está vivo, que venceu o tormento da cruz e é Senhor e Cristo para sempre. Ao final, encontramos o Santo Padre, o sucessor de Pedro, que recebeu do mesmo Senhor a missão de confirmar os irmãos na fé. Um encontro simples e comovente: ali estávamos todos cumprindo a missão que o Cristo Jesus nosso Senhor nos havia confiado: os sucessores dos apóstolos com o sucessor de Pedro. Dois mil anos depois da ressurreição esta missão perdura, e perdurará enquanto o mundo existir. Durante estes dias escutamos e discutimos sobre os grandes desafios da santa Igreja... Quantos problemas, quantos enormes e urgentes desafios... Discutirmos e pensamos como resolver ou minorar essas grandes questões... E, no entanto, não há solução definitiva para elas; nunca haverá! E é assim mesmo que deve ser. A Igreja não é uma empresa, e a obra de evangelização não é a oferta eficiente de um produto à venda. O que sustenta a Esposa santa de Cristo não somos nós com nossas peripécias e nossa genialidade religiosa e inventiva. É a graça de Deus, é a potência do espírito do Ressuscitado que nos guia, que sustenta os discípulos do Senhor, que conduz pelos caminhos da história a Esposa do Cordeiro. Muitas vezes, diante das dificuldades e da descristianização de nossa sociedade, preocupamo-nos tanto, que esquecemos que há alguém sentado no trono do céu, que o Cordeiro venceu e tem nas mãos o livro da história, que o espírito do ressuscitado está presente no coração do mundo. Não somos nós, os cristãos, os senhores da história; não somos nós os que dão um rumo à Igreja... É o Senhor, somente o Senhor! Ao fim das contas, é quando silenciamos diante do Senhor, quando o olhamos, na sua cruz, quando celebramos os seus mistérios na sagrada liturgia, que, então, com suave alegria, compreendemos que entendemos pouco, que podemos quase nada e que não passamos de amados e simples instrumentos nas suas mãos. Não sabemos por onde o nosso Salvador vai guiar a sua Igreja, não sabemos quantos serão os cristãos daqui a cem anos. O que sabemos é que ele estará lá, junto a nós, guiando-nos, consolando-nos e enchendo-nos da doce certeza da sua ressurreição! Isto nos deve bastar. (*) É arcebispo auxiliar de Aracaju/SE.