Opinião
Trevas na educa��o
Centralizando as atenções, os debates sobre a sucessão presidencial e a visita de Paul O?Neill ao Brasil, deixaram em segundo plano ? em relação às atenções da opinião pública ? um acontecimento exemplar para se entender os efeitos do período FHC. Esse fato emblemático da falência brasileira, tecida nesses oito anos, está no episódio do corte de luz na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ocorrido na segunda-feira e com religações novos cortes na terça-feira (ontem). Maior e mais tradicional entre as universidades federais brasileiras, a UFRJ foi jogada às trevas por inadimplência. Acusações não faltam. A Ligth, concessionária de energia elétrica no Rio de Janeiro, reclama uma dívida de R$ 7 milhões. A UFRJ contesta o valor, trazendo-o para R$ 5,8 milhões e diz que já tinha começado a regularizar a situação. O governo federal, através de seus responsáveis pela deseducação nacional, afirmam que esse não é um problema federal... E, nesse debate todo, a energia foi cortada. O corte da eletricidade, na segunda-feira, paralisou nada mais nada menos que o Hospital Universitário da UERJ, entidade que atende diariamente a milhares de pessoas. Todas as cirurgias programadas para segunda-feira foram canceladas em cima da hora, até por falta de aviso prévio sobre o corte. A Reitoria da UERJ igualmente ficou às escuras, atravancando todo o funcionamento da maior universidade federal brasileira. Um caos, onde as velas retornaram a sua posição de destaque como fontes de iluminação para leitura e aulas foram ministradas a céu aberto (durante o dia, lógico), inclusive nas escadarias externas das faculdades. Cenas nada luminosas sobre uma prática de governo. O modelo ilusório e demagógico imposto pelo governo FHC à educação do Brasil está se desfazendo antes da hora prevista por seus criadores. A luz que falta na Universidade Federal no Rio de Janeiro é apenas o aflorar de um quadro de penumbra, causado pela política de abandono e sucateamento do sistema público de ensino superior no Brasil.