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De ministros e “Supr�mios”

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Com as exceções de praxe, certamente o critério ?competência? não é item preferencial na hora de nomear ministros de Estado e secretários de governos estaduais e municipais. Não obstante, não são poucos os casos em que, por mera casualidade, os escolhidos conseguem dar conta do recado. Nesse aspecto, o longo período da sui generis ditadura militar brasileira marcou com exemplos que ainda hoje são seguidos pelos companheiros que montaram no cavalo do poder. Conhecido como o homem responsável pelo ?milagre brasileiro? dos primeiros anos do regime, Delfim Neto, sem dúvidas um talentoso economista (hoje, guru preferencial das esquerdas), num dado momento seria deslocado de suas funções para a pasta da agricultura, mesmo sem entender bulufas. A justificativa seria a de que um cara como Delfim não poderia estar de fora de um governo que se prezasse. Outro caso emblemático da época foi o de Jarbas Passarinho, que pousou na titularidade de vários ministérios, inclusive o da Educação. Passarinho, um militar culturalmente diferenciado deixaria registrada para a história uma sentença-maldição: ?Terei médicos a preço de banana?. E danou-se a abrir faculdades de Medicina. Com a normalidade democrática, iniciou-se na área da saúde a fase da ditadura sindical. Moeda de manigância política, ministério e secretarias estaduais foram tomadas por hordas de sindicalistas porras-loucas que em poucos anos detonariam estruturas hospitalares como o Hospital do Servidor de São Paulo, o próprio HC e o Servidor do Rio de Janeiro, dentre dezenas. Alagoas foi vítima desse massacre. Depois, já com FHC, assumiria a saúde o consagrado Adib Jatene que, embora dele se esperasse bem mais como administrador, pelo menos tentou incrementar verbas para o setor emplacando um imposto, o famigerado CPMF. Seu substituto, o ?economista? José Serra, escandalizado com a vil remuneração dos médicos, andou mexendo nas tabelas de honorários. Graças a ele (e a Deus) um consulta médica, depois de 100% de aumento, passou a valer seis reais. O fato é que ministros de Estado são voláteis, descartáveis. O grande nó dos governos com algum senso de responsabilidade é na escolha de ministros de tribunais superiores. O cargo é razoavelmente remunerado, vitalício e, sobretudo, fundamental para a democracia. Função essencialmente técnica e moral, não deveriam prevalecer sentimentos como gratidão e subserviência. Se não o tribunal vira ?Suprêmio?. (*) É médico e professor da Ufal.

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