Opinião
Um marco hist�rico
Uma grande vitória brasileira coroou a semana encerrada ontem. Um triunfo memorável, pois sediar uma Olimpíada é um dos melhores negócios do mundo ? literalmente. Apesar da paixão dos brasileiros pelo futebol, deve-se ter plena consciência de que sediar uma Copa do Mundo é algo muito menor que abrigar uma Olimpíada. Não é o caso, aqui e agora, de discorrer sobre números e cifrões para deixar suficientemente claro a dimensão da vitória. Não faltarão matérias detalhadas sobre os recordes pecuniários que, certamente, serão, inapelavelmente, batidos ao longo desta meia dúzia de anos que nos separam do grande acontecimento. A cada nova edição dos Jogos Olímpicos aumenta a dimensão dos investimentos, assim como se ampliam as visões sobre a sustentabilidade pós-evento. Ou seja, com gastos milionários crescentes, igualmente crescem as preocupações e os cuidados para que uma boa parte do dinheiro dispendido seja convertido em realizações duráveis capazes de atestar o racional uso dos recursos. Esta é uma estratégia firmemente acompanhada pelo próprio Comitê Olímpico Internacional, o que é uma garantia de fiscalização bem mais rígida e transparente aos orçamentos e suas aplicações. Melhor para todo mundo, especialmente melhor para o Brasil. Pela vez primeira na história das Olimpíadas, um país latino-americano vai sediar os jogos ? isto é um marco inquestionável. E, especialmente, esta marca é alcançada num momento no qual o Brasil, depois de se sair muito bem do cenário de crise global, arranha-se com a polêmica sobre o abrigo dado pela embaixada brasileira em Tegucigalpa ao presidente deposto de Honduras. Na sexta-feira, um gol de placa definiu para o Brasil um campeonato de grande importância mundial e relegou a plano inferior todas as trapalhadas de uma diplomacia, digamos, de várzea.