Opinião
Oito dias com Paulo
(De Damasco, na Síria) ? No artigo anterior, disse algo sobre a visita ao Santo Padre que os bispos do Nordeste fizemos, que convoca os Sucessores dos Apóstolos do mundo inteiro a se encontrarem com o Sucessor de Pedro, Vigário de Cristo na Terra. Foram 15 dias maravilhosos que vivemos em Roma, acolhendo a palavra sábia de Bento XVI, numa ordenação episcopal na Basílica Vaticana de cinco novos bispos, no discurso dirigido a todos nós do Nordeste, e em encontros particulares. Aos novos bispos, recomendou fidelidade, prudência e bondade, requisitos indispensáveis ao exercício do ministério episcopal. Para os bispos do Nordeste, transmitiu-nos mensagem especial, ressaltando a distinção entre sacerdócio ministerial, próprio dos presbíteros e sacerdócio batismal, comum a todos os fiéis. ?É necessário evitar ? disse ele ? a secularização dos sacerdotes e a clericalização dos leigos?. Houve encontros particulares ? no quais pedi uma bênção especial para a Casa Dom Bosco de Maceió e para a comunidade eclesial de Fernando de Noronha. Depois dos 15 dias de encontro com Pedro, seguimos em peregrinação de oito dias pelos caminhos do apóstolo Paulo. Começamos por Atenas, visitando as ruínas do Areópago, onde o apóstolo pronunciou o discurso de adatação à cultura helênica, relatado na Bíblia, em Atos, e a igreja de S. Dionísio Aeropagita, um dos poucos que logo aderiram ao anúncio da ressurreição, feito pelo apóstolo. Domingo, 20, tive a alegria de presidir celebração eucarística na Catedral de rito latino de Atenas. Estivemos em seguida em Corinto, comunidade querida de Paulo, onde demorou um ano e meio e à qual escreveu duas cartas que estão na Bíblia. Em Éfeso, vimos a casa de Nossa Senhora, onde João esteve com ela, segundo se crê, até ser exilado para a Ilha de Patmos, onde escreveu o Apocalipse, vindo a morrer talvez de volta a Éfeso. Iremos agora a Damasco, em cujas portas o Apóstolo das Gentes teve seu primeiro encontro com o Mestre, que o transformou de perseguidor dos seguidores de Jesus que era, em intrépido anunciador do evangelho, pelo qual foi preso, açoitado, sofreu naufrágios e perseguições dos judeus e gentios, isto é, do povo de sua raça e dos pagãos para os quais tanto se dedicou, anunciando-lhes com coragem o evangelho do Senhor Jesus. Por ele, deu o testemunho final da sua vida, sendo decapitado em Roma, centro do mundo de então. Este prolongamento do Ano Paulino tocou os bispos e sacerdotes e nos leva a propósitos sérios de vida apostólica, à imitação do Apóstolo Paulo, apaixonado anunciador de Jesus Cristo. (*) É arcebispo emérito de Maceió.