Opinião
Estaleiro e atraso
O governo do Estado de Alagoas anunciou ontem a construção de um estaleiro em Pontal do Coruripe, Litoral Sul. Nas palavras do governador Teotonio Vilela, um investimento como nunca se viu em décadas. Não há o que contestar. Que venha o estaleiro, o maior da América do Sul, segundo seus anunciantes ? governo e grupo privado. Será sem dúvida uma grande conquista para o Estado, mais ainda para a região Sul. O investimento de R$ 1,5 bilhão garante um empreendimento de porte gigante e de perspectivas das melhores. O Estado precisa de uma alternativa para o avanço de sua economia. E o anunciado ontem representa tal perspectiva. No pacote das benfeitorias que a nova fábrica poderá trazer há o componente emprego, um dos mais atrativos. Diretamente, serão cerca de cinco mil postos de trabalho. E esse número se multiplica, quando se constata que haverá demanda para vários outros segmentos do mercado produtivo. Muito bem. A novidade será tanto mais promissora na medida em que venha a se refletir no avanço de indicadores sociais. Isso será possível, claro, com o Estado aplicando recursos que venham a aumentar com a presença do estaleiro e suas consequências. Uma vez com mais capacidade de investimento, o Estado terá novas condições de combater índices como os divulgados ontem ? e que apenas reafirmam o atraso que separa Alagoas das regiões mais desenvolvidas do País. Segundo o IBGE, a partir dos dados consolidados do Pnad, Alagoas tem a maior taxa de mortalidade infantil e a menor taxa de expectativa de vida. Os números são dramáticos, uma verdadeira tragédia que os últimos governos contribuíram pouco, quase nada para combater de verdade. Muito discurso, mas resultados pífios. Eis o grande desafio do atual e de futuros governos.