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O cientista eterno

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Alfred Nobel já veio ao mundo com a inquietação própria dos que apreciam tortuosos labirintos da ciência. Após começar os estudos em sua Estocolmo, emigrou para São Petersburgo na Rússia, onde o pai instalara uma fábrica de nitroglicerina. Aos 16 anos já era um químico competente. Aos 17, partiu para a especialização na França e depois nos EUA, de onde voltou para São Petersburgo para trabalhar na fábrica do pai, onde tentou aperfeiçoar a nitroglicerina líquida. Todavia, a fábrica faliu e Alfred voltou para a Suécia, onde trabalhou na fabricação de explosivos à base de nitroglicerina líquida. Uma tragédia marcou-lhe esta fase da vida: seu irmão, Emil, faleceu em um acidente de trabalho com nitroglicerina. Nobel passou a ser estigmatizado pela sociedade e pelas autoridades, que o proibiram de reconstruir a fábrica. Persistente, continuou suas pesquisas, obcecado com a ideia de minimizar o perigo de manuseá-la. Daí resultou a dinamite e o detonador, assim como um explosivo mais poderoso, a nitroglicerina gelatinizada. Era tudo o que um mundo ansioso por aberturas de estradas, túneis e canais, enfim, por desenvolvimento, queria. Nobel ficou milionário, fortuna que aumentaria muito com a exploração de poços de petróleo na Rússia. Seria o mais perfeito dos mundos, se não fosse o uso para fins bélicos que os homens deram aos inventos de Nobel e como nunca antes, milhares e milhares foram as vítimas que sucumbiram desta maneira, que se tornou a principal forma de matança coletiva de seres humanos. Abalado, Nobel passou a ter uma vida reclusa, depressiva; a saúde deteriorou. Sem filhos, legou toda a sua imensa fortuna a uma fundação encarregada de premiar anualmente todos aqueles que mais se destacassem por sua contribuição à humanidade. Criou o mais famoso prêmio do mundo, concedido anualmente a personalidades que tenham contribuído para o progresso da Medicina, Física, Química, Economia, Literatura e paz. Certos Nobéis concedidos em literatura causaram polêmica, porém observem-se alguns prêmios Nobel deste ano: Obama na paz; em Medicina, os pesquisadores dos telomeros, fundamentais para retardar o envelhecimento e na luta contra o câncer; e o de Química ? ganhadores labutam no desenvolvimento de novos antibióticos, que a Medicina tanto necessita para salvar vidas. Embora as boas ações não precisem ser premiadas para serem indispensáveis e essenciais para a humanidade, o prêmio Nobel continua a ser uma referência de que o ser humano é viável, pode ser altruísta e trabalhar pelo bem comum. (*) É Médico e professor da Uncisal

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