Opinião
Car�ncias eternas
As instituições governamentais e não-governamentais espalhadas pelo País precisam investir mais e melhor em benefício da infância e da adolescência em todas as regiões. Principalmente no Nordeste. Se seus dirigentes e técnicos verificarem, como devem, os números da Síntese de Indicadores Sociais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados neste fim de semana, logo constatarão que não poucos indicadores são lastimáveis e devem ser urgentemente revertidos. O estudo é completo e por demais oportuno, onde mostra avanços, sobretudo com as ações implementadas com o dinheiro público e voltadas para a educação, no decorrer de dez anos contando de 1998 e que tem contribuído para o aumento do acesso à escola na primeira infância. E também quando indica que as melhorias têm sido ainda lentas, destaca o nível de rendimento das famílias como determinante para a frequência escolar, e traz uma série de dados preocupantes. Estamos a menos de um ano das novas eleições para a Presidência da República, o Senado, a Câmara dos Deputados e as Assembleias Estaduais. Mas há tempo suficiente para a discussão de propostas que possam servir para a redução de forma verdadeiramente expressiva das causas e efeitos das mazelas sociais nas regiões mais afetadas pelas persistentes desigualdades. Só a nordestina, de acordo com o mencionado estudo, tem mais da metade das crianças, adolescentes e jovens em situação de pobreza. Este momento pode ser aproveitado também para a cobrança e cumprimento de compromissos feitos nas campanhas eleitorais. De execução de projetos e programas cada vez mais necessários ao País que, segundo essa mesma pesquisa do IBGE, tem ainda metade das famílias vivendo com menos de R$ 415 per capita, e metade das mulheres sem cônjuge e com todos os filhos menores de 16 anos dependendo de menos de R$ 249 per capita para sobreviver.