Opinião
Big brother da seguran�a
Especialistas em segurança assinalam que 95% do sucesso em não ser vítima da violência devem-se às práticas de medidas preventivas, e os 5% restantes divididos entre sorte e reação. Reação não é uma medida recomendável, haja vista a grande vantagem do criminoso representada pela surpresa, ou seja, é ele quem determina o tempo da ação, além do que, depois do estatuto do desarmamento, ele tem a certeza que vai enfrentar um cidadão desarmado. Sorte é um evento que não se administra. Nas casas residenciais, as grades de ferro, cercas elétricas, ofendículos, sensores de movimento, alarmes e monitoramento por empresa de segurança e/ou milícia formam o kit básico de sobrevivência para todos. Nos centros comerciais e locais públicos são acrescentadas inúmeras câmeras de segurança que passam a compor circuitos fechados de TV (CFTVs), um verdadeiro big brother onde o emparedado é o cidadão. O uso do CFTV em locais públicos obriga ao usuário dispor em pontos visíveis placas amarelas com o desenho de um sorriso, dizendo: ?Sorria! Você está sendo filmado?. Alguns usuários de CFTV fazem a captação das imagens e não gravam, outros gravam e deixam à mostra o equipamento de gravação. Outros, mais cuidadosos gravam as imagens em computadores no local e cópias remotas. As imagens são importantes instrumentos para a polícia identificar e prender os criminosos monitorados, mas não é o que está acontecendo na prática e os motivos são conhecidos ? as vítimas sentem medo de integrar o processo de reconhecimento e prisão de criminosos, e a polícia parece ser pouco convincente para reverter o quadro. O famoso assaltante Gil Bolinha, quando foi preso pela primeira vez e teve apresentadas as imagens dos seus 14 assaltos praticados, sorria orgulhoso de ser protagonista nos curtas do crime. Um empresário da segurança já prevê mudança nas placas de advertência do uso de CFTV por outras anunciando uma negociação: ?Sorria! Sei que estou sendo assaltado. Não perca tempo retirando objetos para vendê-los por baixos preços a exploradores intrujões. Pago mais caro. Vamos negociar. Obrigado?. (*) É delegado de Polícia Civil ([email protected]).