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Opinião

Abismo educacional

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Há uma semana, matéria publicada em www.globo.com insistia na tese de que o dramático quadro da educação no Brasil era um indiscutível reflexo das disparidades regionais em nosso País. E, como comprovação dessa assertiva, expunha distância entre as taxas de analfabetismo registradas no Sudeste e no Nordeste. Pelos números expostos pela reportagem, a taxa de analfabetismo existente no Nordeste é o triplo da assinalada no Sudeste. Mais precisamente, 19,4% no Nordeste contra 5,8% no Sudeste. A média brasileira seria de 10%. Os dados foram produzidos originalmente pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2008, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As discrepâncias não sossegam por aí e resume a reportagem: ?Nas áreas rurais, o analfabetismo chega a 23,5% contra 4,3% nas regiões urbanas. A taxa entre os negros é de 13,6%, mais do que o dobro do percentual identificado entre a população branca. A camada da população com mais de 40 anos tem um índice de analfabetismo de 16,9%?. Indubitavelmente, um dramático quadro. Melhorias, sem dúvida, podem ser registradas ? mas seus resultados ainda são insignificantes frente à imensidão do problema. Drama este que, conforme a pesquisa indica, atinge, com intensidades diferentes os diversos brasis que coabitam no Brasil. Tamanha disparidade confirma que é-se indispensável distintos projetos voltados para o equacionamento de realidades tão desiguais. De pouca valia são os ?planos nacionais? que buscam um inexistente igualitarismo nos dramas dos brasileiros excluídos da educação (e, especialmente, da alfabetização). Tratar de forma diferente os diferentes é um conceito democrático que precisa ser devidamente aprendido pelas autoridades brasileiras.

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