Opinião
Universaliza��o: heran�a ou castigo?
O 25º Congresso da Abes (Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental), realizado de 20 a 24 de setembro, no Recife, confirmou a tradição. Foi um sucesso, com muitos participantes, painéis, mesas-redondas de excelente qualidade e uma grande feira de equipamentos e serviços, ratificando o momento especial vivido no Brasil. Não dá para resumir em poucas palavras o que aconteceu, mas é possível destacar alguns temas relevantes e avaliar o futuro dos serviços de abastecimento de água e de esgotamento sanitário em nosso País. O presidente Lula e seus multiplicadores de opinião querem fazer crer que apenas com a promessa do PAC tudo mudou e todas as soluções foram encontradas. É a velha tese de que o dinheiro resolve tudo, afagando a classe política, cada vez menos comprometida com a ética e dedicada a agradar ao grande líder brasileiro para garantir os dividendos que sempre auferiram no exercício de seus mandatos. Sem dúvida, a situação está bem melhor quando se fala em investimentos no setor. O problema é que há uma grande distância entre o prometido, o realizado e o desejado. Há razões para tal descompasso destacando-se, segundo os gestores públicos: a burocracia dos órgãos financiadores para analisar projetos e liberar recursos; a demora na liberação dos financiamentos; a incompatibilidade entre as exigências legais e a necessidade de executar as obras e a reclamação mais recente e perigosa, o excesso de fiscalização e controle. Pelos órgãos financiadores e fiscalizadores, tem-se: a falta de projetos de engenharia; a incapacidade de gestão dos prestadores de serviços públicos e a falta de estrutura dos governos locais. Tudo resulta, então, em preocupações decorrentes das questões impostas para e pela universalização. Se há esse dinheiro todo, é necessário qualificar os investimentos para que deem efetivos resultados. Se com o ritmo atual de liberação de recursos só se alcançará a universalização por volta do ano 2075, é preciso ter coragem de mudar os modelos de gestão e usar as parcerias com a iniciativa privada como umas das formas mais eficientes de melhorar a gestão dos serviços. Se os prestadores de serviço em sua maioria atuam com práticas de mais de dez anos atrás, os gestores dessas entidades devem ser profissionais do mercado e do setor, competentes para gerenciar um negócio essencial à vida e que deve gerar os lucros necessários para a eficiente operação dos sistemas de abastecimento de água e de esgotamento sanitário. É preciso ter coragem para deixar uma herança e não um castigo perverso. (*) É engenheiro civil e diretor Nordeste da Abes.